Campanha em Defesa das Terras, Águas e Povos é lançada com protestos no Piauí

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BR-316 foi interditada durante o lançamento da campanha | Foto: Paula Andreas

A sociedade civil organizada lançou, no último dia 21 de novembro, em Teresina/PI, a Campanha em Defesa das Terras, das Águas e dos Povos do Piauí que envolve entidades de todo o estado. A campanha visa chamar a atenção da população para os prejuízos gerados com os grandes projetos que estão sendo implantados no Piauí. Participaram da ação entidades como Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido, o Movimento Quilombola, a Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social (Enecos), a Pastoral do Migrante e os movimentos de luta pela terra.
 
Os participantes ocuparam, pela manhã, a BR-316 próximo ao trecho conhecido como Estaca Zero, e as sedes da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semar) e do Instituto de Terras do Piauí (Interpi). Elas exigiam a suspensão do leilão das quatro hidrelétricas do Rio Parnaíba e do licenciamento ambiental concedido às empresas privadas que querem investir no Estado e, ainda, a revisão das indenizações das famílias que têm propriedades por onde passará a ferrovia Transnordestina.
 
A manifestação terminou às 9h, resultando em um congestionamento de 30 quilômetros na via, principal ligação de Teresina ao Sul do Brasil. Mais de mil pessoas estiveram presentes cantando, dançado e protestando. Houve também um momento de mística e um café da manhã compartilhado. Carlos Humberto membro da Coordenação do Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido realizou a abertura oficial da campanha e chamou os participantes a lutar por um Piauí que busca um desenvolvimento sustentável respeitando o meio ambiente e seus diversos povos.

Na manifestação, as entidades colocaram pneus e matos no meio da pista, impedindo o tráfego nos dois sentidos. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) chegou ao local e conseguiu negociar para que os protestos encerrassem após três horas.

Após a manifestação na BR-316, os protestantes seguiram para o prédio da Semar e do Interpi. O Secretário Dalton Macambira negociou com as entidades e decidiu-se abrir o diálogo para a negociação da pauta proposta pela campanha. A primeira reunião ficou marcada para o próximo dia 24.

Na pauta de negociação, a campanha visa combater, por exemplo, a venda de terras e o licenciamento de grandes projetos pelo governo estadual que violem os direitos das populações e degradem o meio ambiente, os danos causados pelas obras de “aceleração do crescimento”, a omissão de instituições de controle social e fiscalização e o consentimento do Poder Judiciário das baixas indenizações às famílias.

O objetivo da campanha é fazer com que o poder público e os órgãos competentes garantam os direitos das famílias atingidas por meio dessas ações. As entidades querem ainda um levantamento minucioso de todas as comunidades e famílias atingidas pelos projetos de barragens, mineração, Transnordestina, Transcerrados e as monoculturas de soja, cana-de-açúcar e plantio de eucalipto. Pedem também pela justa indenização às famílias atingidas, terras apropriadas para assentamentos de moradias e para a produção da agricultura familiar e implantação de uma política ambiental.

Saiba mais no blog da campanha.

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