A organização indígena em busca da identidade

O segundo dia (10) do Encontro Territorial de Agroecologia, que acontece em Itapipoca (CE) e reúne mais de 200 inscritos, foi um dos mais esperados. Os participantes se dividiram entre 11 intercâmbios e partiram para as comunidades, buscando conhecer as experiências de cada local, geralmente feitas por mulheres. Entre experiências de agroecologia e socioeconomia solidária, apareceram também algumas relacionadas à organização social.
Uma dessas experiências é a dos povos indígenas que se dividem em quatro comunidades e têm uma história de luta pela terra, contra a construção de um empreendimento turístico internacional e pela demarcação do território. Essa história começa um pouco antes, em 2002, quando a atual geração opta por assumir a identidade indígena Tremembé e resgatar a cultura e as tradições de seus antepassados. A aldeia hoje é liderada por um grupo e recebe o apoio de várias entidades em suas lutas.
A organização comunitária já deu frutos: as crianças e jovens da aldeia têm acesso à educação diferenciada indígena, da educação infantil ao 1º ano do ensino médio. Na escola, além das matérias tradicionais como português e matemática, conhecem também a história Tremembé, a legislação e o Projeto Dia do Índio. Este projeto ocorre no mês de abril, quando os estudantes assistem a palestras dos mais velhos e das lideranças sobre sua história, além de terem aulas práticas de artesanato tradicional e utilização de plantas medicinais, fora outras atividades, como a horta coletiva.
Outra conquista foi a construção de uma casa de farinha comunitária para beneficiar a mandioca tradicionalmente plantada pelos povos, uma vez que o índio é historicamente um agricultor. De lá, sai farinha branca e farinha d'água a partir do trabalho conjunto das famílias, que fizeram questão de utilizar fornos não industrializados. A comunidade também tem um plantio medicinal onde se realiza a tradicional Festa do Murici e do Batiputá. Adriana, uma das lideranças, diz que o desafio agora é conseguir a saúde diferenciada para o povo, com um posto de saúde e agentes da própria comunidade.
Recentemente Maria da Paz, uma das professoras da escola, começou a organizar um grupo que se reúne para fazer artesanato na comunidade, porque antes cada um fazia para si. A liderança cedeu um espaço e foi ensinando as técnicas do artesanato. Embora ainda esteja muito inicial, já é possível ver um centro se formando com produções diversas e jovens aprendendo com prazer aquilo que seus antepassados faziam.