“As sementes dão a certeza da continuidade de vida para outras gerações”, diz João Félix

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Durante o encontro, participantes plantaram sementes de forma simbólica. | Foto: Rosa Nascimento 

Agricultores e agricultoras, representantes das comissões municipais de convivência com o Semiárido da região Sertão Central e instituições do estado do Ceará participaram, nos dias 03 e 04 de novembro, na comunidade Lagoa do Serrote, em Quixadá, do encontro microrregional de sementes. O evento faz parte das atividades do Programa 1 Milhão de Cisternas (P1MC), da Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA) e foi realizado pelo Instituto Antonio Conselheiro (IAC), executora do programa na região, com o apoio da Cáritas Brasileira Regional e Organização Barreira Amigos Solidários (Obas).

A temática Sementes Crioulas, Sustentabilidade e Soberania e Segurança Alimentar no Semiárido proporcionou uma ampla reflexão sobre a importância de guardar as sementes crioulas como estratégia para a segurança e soberania alimentar. Neste momento, os participantes também socializaram as dificuldades e benefícios das casas de sementes já existentes nas comunidades.

No primeiro momento, Alessandro Nunes, da coordenação do Fórum Cearense pela Vida no Semi-Árido (FCVSA), fez uma breve explanação da origem das casas de sementes e falou de sua importância para a soberania alimentar e biodiversidade e garantia de sementes para o plantio agrícola quando caem as primeiras chuvas. “Quem guarda as sementes contribui com a continuidade da vida numa perspectiva de dignidade”, disse, referindo-se à autonomia e liberdade política que as sementes dão para as famílias agricultoras.

A fala de Alessandro foi respaldada pelos agricultores João Félix, de Riacho do Meio, no município de Choro, e por Eduardo Bezerra, de Lagoa do Serrote, que partilharam a experiência com casa de sementes, nas suas comunidades.
 
Os agricultores reconhecem que as sementes crioulas são mais resistentes às pragas, adaptáveis ao ambiente e ainda garante autonomia das famílias, que não precisarão mais ir ao governo pegar sementes para plantar no período chuvoso. “As sementes nos dão a certeza da continuidade de vida para outras gerações e garantem autonomia”, afirma João Félix. “Guardam a memória dos antepassados e faz um resgate da cultura”, complementa Eduardo.

De acordo com Odalea Severo, coordenadora do P1MC no IAC e integrante da coordenação do Fórum, momentos como este são importantes para fortalecer as práticas agroecológicas e fomentar a discussão das sementes crioulas, a partir de experiências já consolidadas. “Aqui a gente discute a busca da autonomia dos/as agricultores/as, o resgate das variedades de sementes locais e estratégias de preservação”, diz.

Origem – As Casas de Sementes surgiram no Nordeste do Brasil, na década de 1970, por iniciativa da Igreja Católica, a partir da seguinte realidade: repressão, seca, necessidade de organização. Tinha como principal objetivo, garantir às famílias sementes para o plantio quando caíssem as primeiras chuvas.
 
São organizações comunitárias que visam à autossuficiência de agricultores e agricultoras familiares, no abastecimento de sementes de espécies importantes para a agricultura local e funciona com sistema de empréstimo e devolução, estabelecido coletivamente pelos/as sócios/as.

No Ceará utiliza-se o termo Casas de Sementes e não Bancos de Sementes pelo fato de bancos estarem ligados ao capitalismo. Casa de Sementes resgata o encontro, a partilha, a solidariedade.

 

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