Experiências da ASA são destaques no Encontro de Diálogos e Convergências
Ritinha representou comunidades tradicionais do Norte de Minas Gerais | Foto: Divulgação do Encontro Nacional de Diálogos e Convergências |
A Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA) marcou presença em diversos momentos da programação do Encontro Nacional Diálogos e Convergências, realizado entre os dias 26 e 29 de setembro, em Salvador, na Bahia. Além de agricultores e agricultoras representantes dos estados onde a ASA atua, participaram também coordenadores das ASAs estaduais e integrantes das equipes técnicas dos programas da Articulação.
Algumas dessas pessoas foram convidadas a contar suas experiências durante o encontro. Uma dessas experiências foi a de comunicação da ASA, apresentada em uma oficina temática. A Articulação trabalha a comunicação voltada para ações de convivência com o Semiárido, que valorizam as famílias agricultoras como protagonistas da própria história. O trabalho desenvolvido pela equipe da assessoria de comunicação da ASA e pelos comunicadores e comunicadoras populares que atuam nos estados do Semiárido foi destacado durante a apresentação.
“A comunicação é um campo que na ASA tem crescido muito, tem aprimorado, valorizado a sua ação. Fazer esse intercâmbio é fundamental para fortalecer a nossa ação e integrar também na relação com outros”, afirmou Cristina Nascimento, coordenadora da ASA no Ceará, que também participou do evento.
Nesta mesma oficina foi apresentada a experiência do programa de rádio Desperta Mulher, produzido pela Rede de Mulheres de Remanso, com o apoio do Sasop, entidade da ASA Bahia. A comunicadora popular da ASA na região, Lise Guimarães, contou que o programa trouxe avanços, sobretudo no empoderamento dessas mulheres que fazem parte da Rede e apontou desafios a serem superados, como o deslocamento dessas mulheres para apresentar o programa de rádio.
Além das experiências de comunicação, outras acompanhadas pelas organizações que compõem as ASAs estaduais estiveram no encontro. É o caso da comunidade de Vereda Funda, em Rio Pardo de Minas, acompanhada pelo CAV do Norte de Minas, entidade que compõe a ASA em Minas Gerais. A agricultora Rita Conegundes, conhecida como Ritinha, e o técnico Carlos Dairel contaram os principais avanços e os desafios que ainda precisam ser enfrentados por esta e outras comunidades do Norte de Minas, onde vivem 27 populações tradicionais.
“Muitas comunidades nativas sofreram com massacres, mas apresentaram resistência. Um bom exemplo é a comunidade indígena Xacriabá que hoje, com muita luta, conseguiu resistir e foi para o enfretamento a partir da agricultura alternativa. Para isso, foi preciso realizar muitos encontros estratégicos com o governo para alertar o governo sobre que estava acontecendo com as populações tradicionais”, afirmou Ritinha.
Grupo de teatro do Polo encenou a peça A Vida de Margarida | Foto: Divulgação do Encontro Nacional de Diálogos e Convergências |
Outra experiência que foi apresentada no Encontro Nacional de Diálogos e Convergências foi a do Polo Sindical da Borborema, que é assessorado pela AS-PTA, entidade da ASA Paraíba. O Polo surgiu em 1993, como uma articulação do movimento sindical no Agreste da Paraíba. No início eram apenas três sindicatos, hoje já são 17. O objetivo é valorizar o conhecimento das famílias agricultoras, valorizando o armazenamento de alimentos para os animais, a estocagem de sementes nativas, a prática dos fundos rotativos solidários e outras alternativas de convivência com o Semiárido. O uso de agrotóxicos e o crescimento da plantação de fumo na região ainda são duas dificuldades que têm sido amplamente combatidas.
Durante a programação, o grupo de teatro do Polo Sindical da Borborema ainda apresentou a peça A Vida de Margarida, que trata da exploração e da violência contra a mulher.
“O encontro em si é de grande importância para os movimentos e para as redes. São grandes redes que se encontram para dialogar, que têm uma representatividade, um acúmulo de debates. Isso é muito significativo e a nossa presença enquanto Articulação no Semi-Árido nesse momento é fundamental”, concluiu a coordenadora Cristina Nascimento.
CARTA POLÍTICA
Ao final do Encontro Nacional de Diálogos e Convergências, foi lida a Carta Política, que sintetizou as principais discussões dos quatro dias de evento. O documento foi entregue ao secretário nacional de Articulação Social da Secretaria-Geral da presidência, Paulo Maltos, que esteve presente no último dia.
Antes da entrega da Carta Política, foram lidas também moções de repúdio a ações do Estado e ao modelo de desenvolvimento hegemônico. São elas: luta contra os agrotóxicos e a liberação do feijão transgênico; pela democratização da mídia; contra os transgênicos; apoio à luta dos quilombolas de Minas Gerais; contra a forma de violência e expulsão de ocupações em Alagoas; repúdio à retomada do programa nuclear brasileiro; às atividades da Veracel celulose; financiamento do BNDES a uma estrada na Bolívia que corta área indígena; e pelo fortalecimento da economia solidária.
As moções serão posteriormente encaminhadas aos órgãos específicos que tratem dessas questões dentro do governo.