Agricultores participam de intercâmbio na Bahia
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Cerca de 50 agricultoras e agricultores dos municípios de Miguel Calmon, Caém e Jacobina beneficiados pelo programa de Mobilização e Convivência com o Semiárido – Uma Terra e Duas Águas (P1+2) participaram de intercâmbios intermunicipais para multiplicação de experiências em três comunidades do município baiano de Riachão de Jacuípe.
Essas visitas permitiram que os participantes conhecessem experiências de convivência com o Semiárido desenvolvidas por outras famílias. Os intercâmbios também objetivam a troca horizontal de conhecimentos e técnicas para agricultores destes municípios com os de outras regiões. Estas novas experiências contribuem para o processo de adaptação dos sistemas produtivos e manejo do solo e água à agroecologia, de forma a provocar o desenvolvimento rural, humano e sustentável.
No município de Riachão do Jacuípe estes agricultores foram visitar, na comunidade de Mucambo, a propriedade de Abelmanto e Jacira e, na comunidade de Mandassaia, a família de Idelmiro e a experiência do agricultor Eduardo, na comunidade de Barreiro.
Abelmanto, o agricultor experimentador que recebeu o grupo de visitantes, afirma que para realizar qualquer mudança e aprender a conviver com os limites da natureza, é preciso ter conhecimentos destes limites para poder perceber o quanto cada um é capaz de conviver com o clima semiárido, e a partir disto planejar a sua propriedade. “Quando se conhece os limites da natureza, você se transforma com ela também”, afirma.
A partir deste entendimento, hoje, ele e a esposa são exemplos de agricultores que desenvolvem o sistema agroecológico em sua propriedade de forma ousada e planejada. Ele mantém uma área de caatinga raleada, criou a bomba malhação para repuxe e irrigação de água, utiliza a irrigação pelo sistema de gotejamento, construiu o biodigestor para produzir gás de cozinha e biofertilizante a partir do esterco do animal, tem a barragem subterrânea, a cisterna-calçadão para a produção de alimentos, tem a criação animal, está montando uma área de farmácia viva, mantém um projeto de educação ambiental, produz polpa de frutas da região, artesanato, banco de semente e casa de ração animal e possui várias tecnologias que facilitam o trabalho da família na roça e no manejo e uso sustentável do solo e da água.
Abelmanto também constrói e comercializa a bomba criada por ele, ministra cursos de gerenciamento de água para produção, além de ser um defensor e mobilizador da promoção do desenvolvimento sustentável. Com todo este empenho eles conseguem suprir quase todas as suas necessidades.
No retorno das atividades, as famílias ficaram encantadas com tantas experiências que viram e só esperam agora colocá-las em prática em suas próprias terras. “Já estava ansioso para chegar este dia para aprender muitas coisas que a gente ainda não sabe”, declara Joaquim Neto, do município de Miguel Calmon.
O P1+2 é uma realização da Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA) e está sendo executado no território Piemonte da Diamantina pela Cooperativa de Assistência à Agricultura Familiar Sustentável do Piemonte (COFASPI), com o apoio do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).