Encontro do Fórum Microrregional do Sertão Central movimenta a comunidade Bom Jardim

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Vim a esta reunião
Fui bem alimentado
Andei com vocês no mato
Embora eu esteja cansado
Bom Jardim, meu muito obrigado
(João Ventura, poeta e sindicalista)

Artesanato do grupo de jovens da comunidade em noite cultural | Foto: Mayara Albuquerque / Arquivo IAC

Na última reunião de 2013 do Fórum Microrregional do Sertão Central ficou decidido que os futuros encontros seriam descentralizados, ou seja, nada mais de fazer na sede, em Quixeramobim. Em 2014, o fórum seria itinerante, cada mês uma nova comunidade sediaria o evento. E assim, nos dias 06 e 07 de janeiro, a Associação dos Pequenos Produtores do Riacho do Cipó, Bom Jardim, em Quixadá, recebeu o primeiro encontro de 2014 do fórum. Entidades, sindicalistas, igrejas, “gente jovem reunida” se encontrando para discutir estratégias para o ano que se inicia.

 A mística de abertura ficou por conta dos moradores da comunidade que organizaram simbolicamente um vale com folhas e areia e pediram para cada participante colocar algo significativo nele, como forma de semeá-lo. No final, o vale que estava seco e sem vida, terminou cheio de Candeeiros, água, verduras, berinjela, mandioca, materiais da comunicação em geral, como revistas, livros. Florido através da força do trabalho em grupo. Marcinha, agricultora agroecológica, e moradora da comunidade deu continuidade a mística lendo o texto conhecido na internet como “O menestrel”.

Após a abertura, o documentário “Nuvens de veneno” foi exibido e o debate desencadeado pelo vídeo levou toda a manhã. O uso abusivo de agrotóxicos, a omissão do Ministério da Saúde e do Meio Ambiente, o capitalismo desenfreado, foram apenas alguns dos assuntos comentados na roda de conversa. Umas das participantes relatou que já viu várias vezes em sua comunidade um rapaz vender pão pela manhã num depósito de plástico e durante a tarde usar o mesmo recipiente para vender herbicidas.

Visita às produções agorecológicas da comunidade Bom Jardim | Foto: Mayara Albuquerque / Arquivo IAC

A tarde iniciou com a apresentação dos programas, suas metas e resultados. Temas como cisternas de plástico, apoio às feiras agroecológicas, assistência técnica, entre outros, foram discutidos. Odaléa Severo, do Instituto Antonio Conselheiro (IAC) externou sua preocupação em relação as implementações com foco na produção de alimentos, “nós precisamos pensar essas estratégias pra frente. Não adianta receber cisterna para produção de alimentos e não produzir” e Kleiton (IAC) complementou: “não só implementar e deixar pra lá, é preciso uma ação de acompanhamento das famílias.” A segunda parte da tarde foi dedicada a apresentação dos resultados da comunicação e suas metas, também foi exibido o vídeo “Levante a sua voz: a verdadeira história da mídia brasileira”, produzido pelo Coletivo Brasil de Comunicação Social – Intervozes.

Como não poderia faltar, a noite cultural foi iluminada pelo luar do sertão e a lâmpada pendurada no barbante, e teve a participação mais que especial do grupo de jovens da comunidade que levaram o seu artesanato da melhor qualidade para vender.

O segundo dia do encontro foi destinado a visita de cinco produções agroecológicas (Produção Agroecológica Integrada e Sustentável – PAIS) da comunidade Bom Jardim. Neto, jovem agricultor, mostrou que é possível conviver de forma equilibrada com a Natureza e ressaltou que os defensivos naturais não podem ser usados de qualquer maneira porque acabarão se tornando agrotóxicos. “O segredo é saber lidar com os animais, pois todos são importantes e não nascem à toa”, afirma Neto. Depois de muita manga chupada pelo meio do caminho, o encontro finalizou com uma roda de conversa sobre as experiências visitadas e alguns encaminhamentos. “Quando você quer, você faz”, disse Marcinha, ao falar sobre a sua experiência.

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