Articulação e mobilização social em pauta na visita de comitiva paraguaia
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Agricultor Seu Manuel explica tecnologia ao Ministro Joaquim Roa | Foto: Daniel Ferreira / Arquivo: Diocese de Pesqueira |
Na roda de conversa entre técnicos/as, agricultores/as e coordenação executiva da ASA Pernambuco, as perguntas dos representantes do governo paraguaio eram muitas. Como funcionam as tecnologias sociais? Como são selecionadas as famílias incluídas nos programas? Quais são as parcerias entre governo e sociedade civil?
A conversa fez parte da visita que uma comitiva do governo do Paraguai – incluindo o Ministro de Emergência Nacional, Joaquim Roa, e o diretor do Serviço Nacional de Saneamento Ambiental, Celso Ayala – fez aos municípios de Pesqueira e de Buíque, no agreste pernambucano, na última terça (21), para conhecer as ações da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA).
Na agenda do encontro, eles tiveram a oportunidade de conhecer as experiências de famílias que participam dos programas Um Milhão de Cisternas (P1MC) e Uma Terra e Duas Águas (P1+2). No Sítio Cafundó, em Buíque, foram recebidos pelo casal Seu Manuel e Dona Eunice, e conheceram a cisterna de 16 mil litros que garante a água de beber da família, e a cisterna-calçadão, com a qual produzem alimentos para consumo próprio. A comunidade do Sítio Cafundó ainda conta com barragem subterrânea e bomba d’água popular (BAP), que abastece as demais famílias do local.
“Nossa região tem uma água muito salobra. Trabalhamos com o processo de dessalinização, mas a perspectiva de captação da água da chuva, que cai da calha para a cisterna e é armazenada é muito interessante, por isso, é importante conhecer como isso é feito aqui, levar essa articulação pra lá”, afirmou Celso Ayala, diretor do Senasa.
Sessenta por cento do território paraguaio fica localizado no ecossistema Chaco, região muito parecida com a do Semiárido brasileiro, especialmente em relação ao clima e ao acesso à água. Cerca de 40% da população daquele país ainda não têm acesso a água potável e metade da população que tem acesso é por meio das juntas de água, grupos comunitários de 200 a 300 famílias que atuam na descentralização do acesso à água, com apoio do Serviço Nacional de Saneamento Ambiental (Senasa). São cerca de 2.500 juntas em atuação na região.
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Diretor da Senasa, Celso Ayala, conhece a BAP | Foto: Daniel Ferreira / Arquivo: Diocese de Pesqueira |
“Ao conhecer as experiências exitosas da ASA, destaco o fato de não haver intermediários, é a comunidade que se comunica diretamente conosco e participa das etapas de mobilização social, da construção e manutenção das tecnologias e, depois, a própria comunidade fala de sua experiência e de seu aprendizado. É o protagonismo da localidade. A mudança de paradigmas da população, passar de algo emergencial para um caminho sustentável de convivência, é um desafio para o Chaco”, destacou o ministro Joaquim Roa.