Agricultores familiares visitam experiência de criação animal na comunidade de Alagamar, na região do Curimataú paraibano

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Casa De Caboclo

A minha casa que é casa de caboclo
Não tem conforto como outras casas têm.
O que eu tenho realmente é muito pouco.
Mas felizmente dá pra mim e mais alguém.
Graças a Deus é uma casa abençoada.
Na minha mesa sempre tem o que comer.
E por ventura se alguém pedir pousada.
Esteja certo que eu hospedo com prazer.
Eu não invejo quem tem casa mais bonita.
Nem menosprezo um ranchinho beira-chão.
O que importa é achar em casa rica.
Ou num casebre um bondoso coração.
E quem procura uma casa de caboclo.
Não é preciso ficar rouco de chamar.
É o bastante dar sinal que está chegando.
Já vem alguém e vai mandando a gente entrar.
Quem não conhece uma casa de caboclo.
Não faça pouco vá lá em casa passear.
Um cafezinho com bolinhos não demora.
Conforme a hora também fica pra jantar.
Casinha simples encostada ao pé da serra.
Quem é amigo não repara onde eu moro
Vá ver de perto o meu céu aqui na terra.
(Liu e Léu)

 
 Agricultores/as conhecem a experiência de Seu Juranildo e Dona Julineide. | Foto: Cantarelly Melo

Recitando a rima “Casa de caboclo”, foi assim que o agricultor experimentador Jurandildo, também conhecido como Caboclo, recebeu os agricultores e agricultoras que visitaram a sua propriedade durante o momento de visita às experiências do 3º Encontro Nacional de Agricultoras e Agricultores Experimentadores, realizado de 28 a 31 de outubro, em Campina Grande (PB).

 Ao chegar à comunidade Alagamar, município de Nova Palmeira, na região do Curimataú paraibano, os agricultores e agricultoras conheceram a experiência da família na criação animal, e também um pouco da cultura local.

Juranildo e Julineide contaram parte da história da família, que há mais de cem anos vive na comunidade, e da vida no campo. Relatam que sempre viveram da criação de animais, prática essa que foi sendo aperfeiçoada de geração para geração.  Compartilharam algumas das estratégias que utilizam na criação: redução e diversificação na criação dos animais, plantio diversificado de palma, armazenamento de água e alimento, reaproveitamento de materiais para construção de chiqueiros, entre outras. A família mantém criação de bovinos, caprinos, ovinos, suínos e aves.

“O grande erro que cometemos durante anos, foi que antigamente visávamos sempre a quantidade de animais. Hoje não, nos  preocupamos mais com a qualidade na criação de nossos bichos”, diz Juranildo.

Durante toda visita, os agricultores e agricultoras atentaram para as estratégias de convivência utilizadas pela família, que mesmo vivendo em uma região que passa por um longo período de estiagem, consegue através de planejamento e muito trabalho conviverem bem, e com qualidade de vida no semiárido.

“Vim para o Encontro de agricultores, pensando mais na visita que iria fazer, e tive sorte de conhecer uma experiência tão boa. Uma família que consegue resistir à seca. Eles invés de reclamar, procuram formas de sobrevivência. É muito bom encontrar vida em um local onde não corre um riacho. Essa família tá [está] de parabéns por nos mostrar que o Nordeste não é só seca e sofrimento. Se eu pudesse trazia todos meus amigos agricultores pra vir lá de Minas Gerais conhecer essa experiência tão legal aqui da Paraíba”, diz o agricultor Adão Pereira.

O intercâmbio faz parte da programação do 3º Encontro de Agricultores e Agricultoras Experimentadores (as), realizado pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA).  É nesse clima festivo, de comunhão e troca de experiências, que a ASA desenvolve suas ações para convivência no Semiárido.

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