Cursos do P1+2: uma troca de saberes na “Universidade Semiárido”
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Universitários e agricultores trocam saberes. | Foto: Aparecida Amado |
O agricultor José Nobre, da Comunidade Agostinho, no município de Nossa Senhora da Glória, em Sergipe, é sempre muito enfático na sua fala quando se trata da troca de saberes entre técnicos e agricultores/as: “Não venha pra cá falando difícil comigo não, um bom técnico é aquele que respeita o saber popular do agricultor, porque o nosso Semiárido é uma grande Universidade onde a gente se forma na prática”.
E é com esse olhar que os/as participantes do Grupo EVA (Espaço de Vivências Agroecológicas), da Universidade Federal de Sergipe, estão facilitando os cursos do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) nas novas comunidades onde o Centro Dom José Brandão (CDJBC) passou a atuar a partir deste ano.
A parceria entre a UFS e o CDJBC começou a partir de uma aproximação com o EVA, onde estão reunidos alunos que têm um visão diferenciada, acreditam na agroecologia como filosofia de vida e defendem a agricultura familiar nas suas falas e ações dentro e fora da universidade.
A ideia de capacitar esses universitários/as para se tornarem facilitadores/as dos cursos do GAPA (Gerenciamento da Água para Produção de Alimentos) e do SSMA (Sistema Simplificado de Manejo da Água) conseguiu ir além da formação e mobilização nas comunidades, despertou neles/as a vontade de conhecer o nosso Semiárido e assim fazer com as famílias uma importante troca do saber empírico com o saber cientifico, levando também para dentro da universidade esse debate sobre a Convivência com o Semiárido.
Esse contato com as famílias, através dos cursos, encontros, intercâmbios e sistematizações, são com certeza um diferencial dos Programas da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA). São esses momentos que proporcionam reflexão sobre o local onde se vive, as mudanças ambientais que acontecem, a falta de políticas públicas, a questão de gênero e a soberania alimentar tão sonhada.
A parceria tem dado certo e, a partir das metodologias desenvolvidas, mais sertanejos aprendem a gerenciar o seu bem mais precioso: a água. É o que conclui Antonio Couto Filho, agricultor da Comunidade Ranchinho, de Porto da Folha. “Eu, particularmente, aprendi nesse curso que nós podemos conviver com a seca sem sofrer. É só colocar em prática o que nós vimos aqui no curso. Se colocarmos em prática pelo menos 50% do que aprendemos, podemos amenizar nosso dia-a-dia de sofrimento pela falta d’água, melhorando nosso bem-estar”, afirma.
Para dona Maria, agricultora da Comunidade Ranchinho II, o curso também possibilita mudanças de vida. “Ano passado foi muito difícil para a gente, sertanejo da roça, pois teve dia de não ter água para beber e cozinhar. Com esta cisterna, pretendo estocar muita água e assim poder passar o verão tendo água à vontade”, ela diz.