Os Povos do Vale gritam: Queremos a Vida em primeiro lugar!
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Encontro aconteceu na Diocese de Araçuaí. Foto: Myrlene Pereira |
Água, terra, direitos humanos, organização social e outra nação. Estes são os clamores das comunidades do Vale do Jequitinhonha, apresentados durante a reunião de organização do 18º Grito dos Excluídos, realizada no dia 18 de agosto, na Diocese de Araçuaí.
Associações comunitárias, representantes de grupos de mulheres, quilombolas, indígenas, agricultores familiares, pastorais sociais, Comunidades Eclesiais de Base (CEB’s), Escola Família Agrícola (EFA) e ONG’s de 13 municípios se reuniram para refletir sobre a sociedade que temos e que a queremos. Durante a análise do modelo capitalista, os participantes o classificaram o momento atual como de concentração e exploração. A avaliação é de que a economia está voltada para exportação, a serviço do grande capital, que culmina em altas taxas de juros e dívidas externa e intera.
O assessor da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Edivaldo Ferreira Lopes, participou de reflexão coletiva sobre o processo de criação no imaginário popular do “Vale da Pobreza”. O grupo discutiu os planos que previam a instalação de mineradoras, hidrelétricas, a utilização da terra para plantio de eucalipto e outras monoculturas e, principalmente, a disposição da mão-de-obra para outras regiões do país. A conclusão dos participantes é de que este modelo, definitivamente, não é representativo para a vontade do povo.
Com base na análise indígena, proposta pela indigenista Geralda Chaves Soares, conhecida como Geralda dos Índios, os participantes da organização do evento refletiram sobre o que seria uma sociedade ideal e contemplativa das demandas da região. A árvore do Bem Viver, que prega a harmonia entre o homem e a natureza marcou a referência metodológica no local. O modelo do Bem Viver comunga com o lema deste 18º Grito dos Excluídos, onde o povo grita pela “vida e primeiro lugar”.
Os participantes avaliaram a importância ao retorno do “Bem Viver” e das práticas vividas pelas comunidades tradicionais. Para isso, inicialmente, foi criada uma comissão, composta por representantes das comunidades quilombolas e indígenas, pela CPT, Pastoral do Migrante, Cáritas, EFA e CEB’s. A comissão tema responsabilidade de fomentar o Grito nas comunidades. A ideia é promover a formação social e a organização comunitária nos municípios, culminando com um ato simbólico, que será planejado no próximo dia 1º de setembro.
O Grito dos Excluídos é um evento articulado que conta com programação ampliada, além dos tradicionais protestos realizados no dia 07 de setembro. O Grito faz parte de um processo de mobilização, luta por direitos e construções coletivas, que buscam chamar à atenção para as condições de crescente exclusão social na sociedade brasileira.
As atividades acontecem em todo o país e contemplam atos públicos, romarias, celebrações especiais, seminários e cursos de reflexão, blocos na rua, caminhadas, teatro, música, dança, feiras de economia solidária e acampamentos.
Em 2012, o Grito dos Excluídos traz como tema: “Queremos um Estado a serviço da Nação, que garanta direitos a toda população!”. Nas Dioceses de Araçuaí e Almenara, o Grito será contínuo, através da formação da população local, afim de uma maior mobilização popular.