Feira Agroecológica e Solidária de Quixadá comemora um ano

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Agricultores e agricultoras familiares em festa | Foto: Arquivo Cetra

“A praça matriz de Quixadá estava disposta, como sempre, a pulsar a cidade, a receber os que chegam de diversas localidades a fim de comprar, vender, negociar alguma coisa. A praça matriz é, de certa forma, um pulmão de pedra, que abriga olhares curiosos dos que se aglomeram em torno da barraca de espetinho, que ventila a respiração cansada da menina que corre atrás do sorveteiro. A igreja imponente parece contar a história da cidade em cada badalada do sino ou mesmo no sinal da cruz que todos que passam por ali fazem em silêncio.

Hoje a praça do sorveteiro, do palhaço que vende TotoLec, do senhor que assa espetinhos, recebeu o primeiro aniversário da Feira Agroecológica e Solidária de Quixadá, bem, a feira acontece todas as quintas, porém, especialmente nessa, movida aquele ar de festejo de natal, a praça se abriu à solidariedade, porque essa feira não é como as feiras convencionais, ela é um resgate daquelas feiras antigas, onde se sabia o nome de cada feirante, onde o cliente sabia os ciclos do produto do feirante, havia uma troca de saberes, um escambo de afeto.

A feira é agroecológica e agroecologia vai para além da troca de insumos sintéticos por orgânicos, ela é uma forma de vida, pautada no respeito pela natureza, no manejo consciente da terra e na produção sustentável e solidária. E assim estavam os agroecológicos, felizes, partilhando a alegria de terem vencido adversidades de um ano cheio de dissabores, onde a estiagem foi cruel, em certos pontos, avassaladora, e esses bravos sertanejos se adaptaram, souberam conviver com o semiárido, respeitar os ciclos e se harmonizar a eles.

Ao microfone, Chico Monteiro, um dos feirantes, entoa firme sua fala “Seca, não se combate, se convive, agricultura bem feita é vida, se você respeita a floresta, não polui os rios, você pode ter orgulho de dizer; vivo agroecologicamente” e todos ouviam, compenetrados, a fala de um homem inspirado. Entre um bolo com café e uma tapioca com queijo, os clientes, – e vale salientar que foram muitos – iam comprando Jerimum, Alface, Rúcula, Mel, Laranja, Seriguela, alguns negociavam um preço menor, outros pediam descontos através da quantidade e fidelidade empregada nas outras tantas quintas feiras de feira e assim a manhã foi se arrastando lentamente, como é típico do tempo no interior.

Houve um momento mais ritualístico, como todo aniversário, teve bolo e discursos. Alguns amigos da feira se revezavam ao microfone, entre um forró e outro – tocado pelo animado trio musical- amigos do IAC, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Quixadá e até o vereador Capitão estiveram apreciando os produtos e falando da importância desse espaço, um oásis de outra forma de comercialização, pautada na solidariedade. O CETRA também esteve presente na festa dos agricultores e agricultoras, ali com eles na armação da barraca, onde precisa-se sempre de mais uma mãozinha até a partilha do bolo e a entrega da cesta agroecológica, um brinde aos que estiveram no evento.

Ah, vale ressaltar, que tudo começou com uma garoa fina e uma chuva maliciosa, que obrigou a todos se esconderem nas barracas e, diferente de outros eventos onde a chuva é motivo espanto, na feirinha foi motivo de esperança, que aumentava com o cheiro de terra molhada, sabe, aquele cheirinho de varanda, aquele cheirinho de quintal.”

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