Centro de Educação Popular e Formação Social celebra 28 anos

![]() |
CEPFS celebrou aniversário em Maturéia (PB) | Foto: Renalle Benício |
O Centro de Educação Popular e Formação Social (CEPFS) reuniu fundadores, lideranças comunitárias, entidades parceiras, agricultores e agricultoras, autoridades políticas e a sua equipe técnica para celebrar seus 28 anos de existência.
A comemoração aconteceu no último dia 15 de dezembro, na área experimental do CEPFS, localizada na comunidade Riacho das Moças, no município de Maturéia (PB). O evento foi dividido na celebração da palavra e no almoço de confraternização.
Unindo fé e vida, a celebração foi um momento para agradecer e comemorar as realizações do Centro. Na oportunidade, foi feita uma contextualização sobre a caminhada do CEPFS, destacando suas principais conquistas, nestes 28 anos.
O momento também foi propício para reconhecer e homenagear as pessoas que contribuíram e outras que ainda contribuem com a construção da proposta de Convivência com a Realidade Semiárida, defendida pela entidade.
Foram homenageados fundadores, conselheiros e diretores do Centro, equipe técnica, lideranças comunitárias e entidades parceiras. A maioria recebeu uma lembrança que simboliza uma cisterna modelo cuscuz, outros receberam diplomas de honra ao mérito. A equipe técnica prestou uma homenagem surpresa a José Dias Campos, coordenador executivo do CEPFS.
Pessoas falecidas que contribuíram na história de caminhada da entidade também foram homenageadas, parentes receberam a lembrança, ao mesmo tempo em que uma vela foi acesa. O momento foi de muita emoção.
Parceiros importantes, como Trocaire, Oxfam, Brucke Der Bruderhilfe, Ashoka, Fundo Finlandês para Cooperação Local da Embaixada da Finlândia, Brazil Foudation, Inter-American Foundation, Articulação Semiárido da Paraíba, Articulação do Semiárido Brasileiro, Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Petrobrás, Instituto Oi Futuro, Banco do Nordeste do Brasil, Folha de São Paulo, ponteAponte, site juntos.com.vc e Fundação Humanitare, que apoiam a entidade, também foram lembrados.
Com muito dinamismo, a celebração foi conduzida pelo padre Espedito Caetano, que no início dos trabalhos do CEPFS, época em que era vigário da paróquia de Santa Maria Madalena, em Teixeira (PB), deu grandes contribuições para mobilização das comunidades e no processo de execução das atividades desenvolvidas pelo CEPFS.
Após a celebração eucarística, foi servido o almoço de confraternização, que aconteceu ao som de muito forró. Os convidados arrastaram o pé até o pôr do sol.
A comunicadora Renalle Benício entrevistou Jose Dias Campos, coordenador executivo do CEPFS sobre o momento de celebração.
Renalle Benício – José Dias, como compartilhar a alegria de comemorar 28 anos de existência do Centro de Educação Popular e Formação Social – CEPFS?
José Dias – A alegria é imensa! São 28 anos de caminhada com muitos desafios, mas, também com muitas conquistas, principalmente, pelo despertar das famílias que habitam o Semiárido para vivenciarem o seu protagonismo, através de novas formas de comportamento, entre si, e para com o meio ambiente onde vivem.
Renalle Benício – São 28 anos de trabalho em comunidades rurais do sertão paraibano, desenvolvendo ações que buscam uma melhor convivência de homens e mulheres do campo com a região semiárida. Quais os avanços percebidos?
José Dias – O principal avanço registrado é o despertar das famílias como sujeitas do processo de transformação da realidade local. Lembro que quando iniciamos as irmãs religiosas dentre elas, irmã Gorete, irmã Maria José e Irmã Glória com quem fazíamos parceria, sempre no inicio das atividades cantava um cântico religioso cujo refrão dizia: só tenho a enxada e o título de eleitor para votar em seu fulano educado, que nada faz pelo pobre agricultor que não tem terra para fazer o seu roçado. Depois desses vários anos de caminhada é possível afirmar que a página que inspirou esse cântico já foi virada para milhares de pessoas. Muitas famílias e lideranças comunitárias perceberam que a ação do CEPFS vai muito além de promover o acesso à água. A cidadania e a solidariedade são elementos fortes trabalhos ao logo desses 28 anos e, portanto foram resgatadas várias outras formas de se viver em comunidade, com dignidade! Tudo isso foi possível porque as ações desenvolvidas pelo CEPFS têm como principal meta cuidar das famílias rurais! Cuidar esse que não significar proteger, mas, promover as pessoas para encontrar saídas para os obstáculos, frutos das mudanças climáticas, com o propósito de melhorar suas condições de vida e incidir na mudança da qualidade de vida de outras pessoas por meio do compartilhar de suas experiências.
Renalle Benício – As organizações sociais não dispõem de recursos próprios para se manter. O que o
CEPFS tem feito para conseguir apoios financeiros?
José Dias – Realmente, um grande desafio é de, não tendo orçamento próprio, manter-se. A dinâmica que temos empreendido, enquanto equipe, é a de estar sempre ocupando espaços de mobilização e captação de recursos, seja através de editais ou por meio da sensibilização de novos parceiros, através da divulgação do que vem sendo desenvolvido. Portanto, a busca por novos parceiros tem-se constituído uma ação permanente. Na medida em que estamos desenvolvendo um projeto, simultaneamente, já estamos mobilizando esforços de articulação para manter as parcerias e conquistar novos, como forma de manter viva a ação da entidade.
Renalle Benício – O CEPFS já conquistou vários prêmios de reconhecimento pelo trabalho que desenvolve. O que isso tem significado para a instituição?
José Dias – Fortalecimento! Significa o reconhecimento de que não só a instituição vem trilhando por caminhos importantes para o desenvolvimento local, com princípios de sustentabilidade, mas, também gera confiança nas famílias participantes, incentivando-as a encontrarem saídas para os obstáculos e incidir mudanças na qualidade de vida de outras pessoas na região, no pais e no mundo. Também permite a confiança das famílias em si mesmas, o fortalecimento do protagonismo, da quebra de paradigma, onde o desenvolvimento passa a ser visto como fruto de um conjunto de intervenções, individuais e coletivas, onde a corresponsabilidade é considerada como elemento de grande relevância.
Renalle Benício – Quais desafios que a entidade ainda enfrenta na luta pela convivência com o semiárido?
José Dias – O desafio principal está relacionado a mobilização e captação de recursos para a continuidade das ações, para manter viva a ação da entidade, haja vista não dispor de orçamento próprio! Por isso estamos, sempre, abertos às novas parcerias, seja com o setor público ou privado. Essa busca constante por novos parceiros, em decorrência da insegurança, em relação ao amanhã, fragiliza a capacidade de inovação dos processos e também das tecnologias sociais. Inovação pressupõe tempo para diálogo e interação com os participantes de modo que o novo possa surgir da conversa, das percepções.