Encontro discute relações de gênero nas práticas de convivência com o Semiárido

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Evento abordou problemas e desafios sobre gênero | Foto: Simone Benevides

A Articulação Semiárido Paraíba (ASA-PB) realizou, nesta terça-feira (10), através do Grupo de Trabalho (GT) Mulheres e Agroecologia, um seminário para discutir as questões de relação de gênero na perspectiva de convivência com o Semiárido. O evento aconteceu no Centro Santo Antônio, na cidade de Patos (PB), e contou com representantes de todas as organizações que executam os Programas Um Milhão de Cisternas (P1MC) e Uma Terra e Duas Águas (P1+2), além de outras organizações da ASA – PB.

As discussões foram facilitadas pela educadora do Centro de Ação e Cultura (Centrac) e assistente social, Mary Help, e da coordenadora do Programa Direito e Igualdade de Gênero, Maria Madalena de Medeiros. O encontro abordou o conceito de gênero e refletiu sobre a construção das relações entre homens e mulheres e como estas construções são passíveis de mudanças ao longo do tempo. Dois painéis foram sistematizados, a partir dos trabalhos em grupos em torno da temática.

Na parte da tarde, foi exibido o curta “Vida Margarida”, vídeo produzido pela AS-PTA e pelo Polo da Borborema, que descreve o cotidiano de uma família agricultora e as várias representações de relações sociais de gênero. A história está baseada na dominação masculina, onde pai e filho oprimem simbolicamente a mãe e a irmã mais nova. O debate foi acompanhado de vários depoimentos que evidenciavam as situações de exploração, dominação e violência de gênero vivida pelas mulheres.  A experiência descreve a história real de depoimentos de mulheres acompanhadas pela a AS- PTA e Polo da Borborema.

Em seguida, mais dois painéis foram construídos por meio das reflexões dos participantes. A discussão partiu de duas questões provocadoras. A primeira é sobre as ações práticas de rede que são fundamentais para a superação das desigualdades de gênero. Outro questionamento abordou as pistas/ações que podemos apontar para as práticas da rede, objetivando a desconstrução sociocultural de gênero.

Dentre as propostas levantadas no painel três, merecem destaque: “dar visibilidade às ações desenvolvidas pelas mulheres; sistematização das experiências das famílias; oficinas de formação com mulheres e com homens; afirmação e visibilidade do trabalho da mulher para o fortalecimento do quintal produtivo; fortalecimento de grupos de mulheres com beneficiamento, comercialização de produtos, debates institucional sobre gênero e estratégia nas comunidades”.

No painel quatro foram destacadas as seguintes problemáticas: “diagnosticar as formas de violência enfrentadas pelas mulheres; trabalhar o tema da violência domestica nos momentos de formação; não compactuar com situações de desigualdades e opressão sofrida pelas mulheres; adotar conduta individual de combate as formas de preconceito, machismo e violência”.

A educadora popular da Central das Associações dos Assentamentos do Alto Sertão Paraibano (CAAASP), Maria Elza Gomes, avaliou a importância do encontro para discussão deste tema: “precisamos cada vez mais aprofundar o debate para dentro da ASA – Paraíba, fazer a mudança a partir de nós mesmos, das nossas instituições e assim ter base para o trabalho nas comunidades. As desigualdades de gênero entre homem e mulher está afirmada e cada vez mais as mulheres vem sendo oprimidas e, em alguns casos, vítimas da violência física e doméstica cometida pelos seus companheiros,  são estas mulheres que precisam ser envolvidas neste processo de construção da Asa.  É preciso cada vez mais dar visibilidade ao trabalho feito por elas, estimular  e dar condições da sua participação nos espaços de formação”.

Já para a coordenadora do Programa Direito e Igualdade de Gênero do Centrac, Maria Madalena: “a discussão de gênero associada à agroecologia é um tema que pressupõe mudança nas relações de produção, assim como também nas relações sociais. Sob esta égide, nem a natureza pode ser dominada, nem as relações entre homens e mulheres podem ser de dominação e exploração”, disse.

Como resultado dos debates durante o seminário, os participantes apontaram como compromissos para superação das desigualdades de gênero, o aprofundamento da temática em todo o processo de construção de convivência com o Semiárido.

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