Comercialização de alimentos orgânicos é tema do Encontro Microrregional e Territorial dos projetos Cisternas e P1+2

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Agricultores e agricultoras participam do Encontro Microrregional e Territorial dos projetos Cisterna e P1+2. | Foto: Arquivo CASA

Com o objetivo de compartilhar saberes e fortalecer as ações de convivência com o Semiárido aconteceu nos últimos dias 29 e 30 de novembro, o encontro Microrregional e Territorial do projeto Cisternas e do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2).

Aproximadamente 100 agricultores e agricultoras dos municípios de Botuporã, Sebastião Laranjeiras, Iuiu, Palmas de Monte Alto, Candiba, Caetité, Guanambi, Riacho de Santana, Pindaí, Urandi, Tanque Novo e Matina, incluindo membros das Comissões Municipais participaram de um encontro marcado por reflexões importantes acerca da temática “Comercialização de alimentos orgânicos: fonte de renda para o Semiárido”.

Nessa perspectiva, o evento propiciou momentos importantes que favoreceram o diálogo e a troca de experiências através de palestras sobre “Segurança alimentar e aproveitamento integral dos alimentos”, ministrada pela professora Hemanuelly Mendes, da faculdade Guanambi, juntamente com a discente do 8º semestre de nutrição Gleuciene Jandira, que falou sobre “Instruções ao PAA e PNAE”; com Maridalva Lemos, representante do Centro de Economia Solidária do Sertão Produtivo (CESOL). Além disso, depoimentos de agricultores que já trabalham com o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) fortaleceram a discussão sobre a comercialização de alimentos orgânicos como alternativa na melhoria da qualidade de vida das famílias, bem como a geração de renda para a região Semiárida.

“A gente passa muito aperto pra arrumar os documentos e participar do PAA. Só que pra nós só o engajamento de uma mulher em aprender as coisas, umas com as outras, fazendo novas amizades, até mesmo se libertando do cativeiro da casa, isso interessa bastante a gente arrumar a documentação pra poder organizar. Vendemos chiringa, chimango, bolo de doce, doce de umbu, geléia, alface, cenoura, beterraba, coentro, cebolinha, abóbora, mandioca e batata. São 55 mulheres que entregam esses produtos”, relata dona Antônia que faz parte do Movimento de Mulheres camponesas de Riacho de Santana.

As palavras cheias de esperança nos revelam a satisfação de agricultores e agricultoras que mesmo com todas as dificuldades da região Semiárida amam sua terra e reconhece nela suas raízes, sua cultura. Daí o significado da música de Luiz Gonzaga, “Não há, ó gente, ó não, luar como esse do sertão”.
Sentimentos assim revelam que é possível construir uma imagem diferente do Semiárido, uma imagem sem estereótipos que valorize as potencialidades locais. Com essa dinâmica, nas oficinas de “Defensivos naturais e Cerca-viva”, “Compostagem e Biogel”, “Remédios caseiros e Multimistura”, “Reaproveitamento de alimentos e geleias”, buscou-se evidenciar a importância de adotar práticas que possibilitam o manejo sustentável da terra, além da valorização dos produtos típicos da região, tais como as frutas adaptadas ao nosso clima, as árvores e plantas medicinais.

Assim, expressar o que representa o Semiárido através de uma palavra, um desenho, um objeto ou talvez um verso ou música não é tarefa fácil, ainda mais quando as emoções falam mais alto. Foi exatamente dessa forma que iniciamos a mística do segundo dia de encontro. Um momento especial em que agricultores e agricultoras tiveram a oportunidade de trocar ideias e construir um retrato do nosso Semiárido.

 O encontro também propiciou reflexões importantes acerca do andamento dos projetos Cisternas e do P1+2. Os agricultores dos municípios presentes se posicionaram e falaram sobre as mudanças que as cisternas de consumo e de produção trouxeram para a região.

“Para nós o projeto foi muito bom, pois trouxe aprendizado, melhorias de vida na saúde, na alimentação e também na qualidade de vida. Com a cisterna de consumo a gente tem água de qualidade. A cisterna de produção melhorou a alimentação, o projeto trouxe aprendizagem de como evitar os agrotóxicos que prejudicam nossa saúde”, afirma o agricultor José Clarindo do município de Caetité.

Diante disso, a troca de saberes e experiências durante o encontro Microrregional e Territorial se constituiu como um espaço importante para os  agricultores e agricultoras que buscam por melhores condições de vida no Semiárido. Isso fica claro na fala de Iraci Fernandes do município de Urandi quando diz: “são tantas tecnologias simples, mas que as pessoas não conheciam. Os cursos têm melhorado muito, conscientizado muito as pessoas, se a gente soubesse dessas coisas antes com certeza a vida estaria ainda melhor. Se tem água de qualidade e possibilidades de produzir e viver com dignidade as pessoas não precisam deixar o campo. Nós precisamos é lutar por uma vida digna e de qualidade lá na roça onde moramos, nós não precisamos sair da nossa roça e  ir pra cidade a procura de uma vida melhor, o que precisamos é trazer essa qualidade de vida pro campo”, conclui a agricultora.


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