Oficina revela vozes das mulheres dos quintais
Mulheres partilham saberes na oficina de quintais produtivos. | Foto: Kátia Gonçalves |
O que há nesse quintal? Há hortaliça, laranja, tangerina, acerola, manga, jaca. Há pimentão, pimenta de cheiro, plantas medicinais. Tem batata-doce e macaxeira. Há também visão de futuro, fé, união comunitária, participação. Essas foram algumas revelações das Oficinas de Quintais Produtivos, que aconteceram na manhã desta quarta-feira (30), dentro da programação do 3º Encontro Nacional de Agricultoras e Agricultores Experimentadores, em Campina Grande – PB. Ao todo foram oito oficinas, duas sobre cada uma das temáticas – criatórios, quintais produtivos, manejo agroflorestal, sementes – que trouxeram debates e trocas de experiências entre agricultoras e agricultores familiares de 10 estados brasileiros.
Numa das oficinas de Quintais Produtivos, o que se enfatizou foi o protagonismo das mulheres, à frente das quatro iniciativas apresentadas, representando os estados de Pernambuco, Sergipe, Rio Grande do Norte e Ceará. “Sou uma agricultora forte em minha comunidade. É importante ter o próprio dinheiro, para não depender do marido. Essa cisterna, para produzir, foi uma conquista em minha vida”, destacou a agricultora Rosilene dos Santos, do Rio Grande do Norte, ao final de sua fala, que contou parte de sua trajetória desde 2006, quando iniciou o seu trabalho com a agricultura familiar no espaço do arredor de casa. Hoje, ela ocupa espaços de participação política na associação de moradores e na comissão municipal da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA).
De Pernambuco, a experiência apresentada foi a de Dona Xanda, do município de Serra Talhada. Na verdade, uma prática não só dela, mas de um grupo de mulheres, reunidas sob a Associação das Mulheres Agricultoras do Assentamento Barra Nova. Uma das invenções dessa agricultora experimentadora é a tela de galinheiro fabricada a partir de garrafa pet, uma opção de reciclagem e reaproveitamento de materiais que pode ser replicado em outras localidades.
“Eu vou contar um pouco da minha história pra vocês…” assim anunciou Rosileide Santana, de Sergipe, e engatou uma conversa sobre como conseguiu suas duas cisternas: uma para a casa, de 16 mil litros e outra para a produção, de 52 mil litros. Hoje, conta, cria 50 animais de pequeno porte, entre cabras e ovelhas. Além, é claro, do seu pomar, o lugar preferido do seu quintal.
Já Conceição Mesquita, da comunidade do Urubu, em Trairi, no Ceará, se autointitula não só uma agricultora agroecológica: “Hoje eu me sinto quase uma doutora da agroecologia”, exclamou. E acrescentou: “O quintal não é só meu, é coletivo com outra família guerreira, parceira de luta. Nosso quintal tem uma visão bem diferente de antes. Se a gente sai do lugar, não acredita, não tem fé, a gente não produz nada”.