Vozes da resistência narram experiências do Semiárido

![]() |
Agricultores/as narram experiências de convivência com o Semiárido. | Foto: Ana Lira/ Arquivo Asacom |
A tarde da segunda (28), do 3º Encontro Nacional de Agricultoras e Agricultores Experimentadores em Campina Grande (PB), foi marcada pelo protagonismo dos próprios narradores de experiências e resistências que evidenciam as práticas e alternativas de convivência no semiárido, durante plenária realizada no auditório Raimundo Asfora, no Garden Hotel.
A mesa foi composta pelos agricultores/as: Sara Maria Constâncio, Reginaldo Pereira Lima, Maria Aparecida e Raimundo Nonato que, na oportunidade ímpar, falaram sobre o trabalho de múltiplas estratégias de superação e convivência com anos de estiagem prologando.
O objetivo foi reunir atores sociais que compõem a trajetória de luta e resistência a favor da biodiversidade, possibilitando a troca de conhecimento como intuito de realimentar as redes de agricultores/as espalhados nas diversas regiões do Semiárido.
Roselita Vitor, do Polo da Borborema, deu inicio a plenária destacando a importância do momento para o fortalecimento das experiências dos(as) agricultores(as). “É nesse momento que a capacidade criativa e inventiva dos agricultores experimentadores aparece. É na hora do desafio que aflora a capacidade de pensar qual a melhor maneira de conviver com o semiárido”, afirmou.
Sara Maria Constâncio, do Assentamento São Domingos, município de Cubati, na Paraíba, agradeceu a oportunidade de poder dividir saberes adquiridos ao longo de uma história marcada por desafios e conquistas. “Mesmo que as portas se fechem em nossas vidas, Deus nos permite abrir janelas. Eu e meus companheiros do Assentamento conseguimos a terra através de muita luta. Começamos a produzir hortaliças timidamente com água salgada, de um poço que tinha próximo a minha casa. Um ano que era para ser terrível, foi positivo devido as políticas públicas, através do Programa de Aquisição de Alimentos(PAA) e do Programa Nacional de Alimentação Escolar(PNAE). Foram com as dificuldades que aprendemos a lidar com a seca, aproveitando cada pingo d’água”, disse a agricultora Sara.
Já Reginaldo Pereira do Sítio Sossego, município da Chapada Diamantina na Bahia fez um balanço das dificuldades enfrentadas desde 1985 quando foi trabalhar em São Paulo até o retorno à terra natal. “Fui trabalhar em São Paulo, mas percebi que o lugar do nordestino é no Nordeste. Voltei para Bahia, estado marcado pela diversidade climática, por isso, sofremos bastante porque o solo retém água. Contudo, aprendi a desenvolver experiências interessantes como o plantio da palma pequena, sorgo para fazer silagem e produção de seis variedades de inhames”, concluiu.
Maria Aparecida, do Sítio Verde, município de Ponto da Folha, em Sergipe, contou a luta de superação contra os efeitos da estiagem dos últimos anos após a chegada das cisternas do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC), que garantiu a água de beber e a cisterna de 52 mil litros do Programa Uma Terra e Duas Águas(P1+2). “Com a chegada das cisternas, hoje produzimos hortaliças que nos garantem o sustento da família. O povo diz que sem água não há produção, mas não é verdade”, finalizou Maria Aparecida.
O último agricultor a falar em plenária, Raimundo Nonato de Souza, de Lagoa Redonda, município de Campinas, estado do Piauí parabenizou a Articulação Semiárido Brasileiro(ASA) pelo encontro e, por último, leu a poesia “A União de Todos Foi a Marca da Minha Luta” , de autoria própria.
“…Da terra ao computador
A mão que lavra a terra
Planta e colhe com amor
Dirige o caminhão
Movimenta o trator
Cuida na Fabricação
Digita o Computador…”