Quintal produtivo é experiência de resistência no Cariri Paraibano
Experiência do casal Teresinha e Manoelzinho utilizam cobertura morta para preservar água nas fruteiras. Foto: Catarina de Angola |
Na comunidade de Santa Cruz, no município de São Vicente do Seridó, a experiência visitada pelos participantes do 3º Encontro Nacional de Agricultoras e Agricultores Experimentadores foi de Quintais Produtivos. Experiência apresentada pelo casal Teresa Rosa Lima e Manoel de Lima, mais conhecidos por Terezinha e Manoelzinho, e por um dos filhos deles, Daniel.
O município está localizado na região do Cariri Paraibano, um dos territórios de clima mais seco do estado e que também sofre com a ameaça do agronegócio, com o avanço das empresas de frango industrial, que tomam conta da região com granjas e galpões. E é nesse contexto que Terezinha e Manoelzinho resistem há mais de dois anos sem chuvas. “Quem tem sangue de agricultor não desiste mesmo”, afirma a agricultora.
No ao redor de casa da família é possível encontrar a diversidade. Diversidade nos canteiros econômicos que produzem alface, cebolinha e coentro. Nas fruteiras, que tem a cobertura morta colocada nas raízes para manter a água no solo, como acerola, romã, goiaba, laranja, limão, coco, laranja cravo, que está com pés carregados de frutos, e outras espécies. Encontra-se também uma grande diversidade de espécies de animais.
O casal cria galinhas, bois, cabras e duas raças de porco, quase que extintas na região e que são adaptadas, que são o faixa branca e o pé de burro. Diversidade de plantas medicinais, como hortelã, babosa, capim santo, entre outras.
No pequeno quintal ainda é possível ver suas experimentações, como a silagem, o composto e a esterqueira, que deixa o esterco mais úmido e preservado, já que tem uma proteção ao redor que não o deixa ser levado pelo vento. Além do banco de sementes familiar que tem em casa e do banco de sementes comunitário que também participam na associação de agricultores.
A família também participa de um Fundo Rotativo Solidário mantido pela associação que tem uma máquina de fazer tela e que integra os participantes da iniciativa. Quase toda a produção é comercializada na comunidade mesmo. Para manter todas as atividades produtivas, a família conta com um poço artesiano e uma cisterna-calçadão. Mas confessa que a água da cisterna só utiliza quando de fato não há outra para molhar as plantas. “Usamos a água da calçadão só em muita precisão, porque é uma água que tá ali guardada e sabemos que quando não tiver água em nenhum outro reservatório, ela vai estar lá”, conta seu Manoelzinho.
Sabedores dos desafios existentes, o casal é firme e forte na sua caminhada. Seu Manoelzinho, que trabalhou por muitos anos na construção civil em São Paulo deseja poder ter uma maior produção de cabras e poder construir uma barragem para garantir mais água na produção. Dona Terezinha deseja aumentar a produção de hortaliças e conta feliz sobre a formação do filho Daniel, em Filosofia, e de uma das filhas em Pedagogia. “Nós queremos que eles estudem, que tenham essa oportunidade”, conta orgulhosa.
E com essa resistência é que continuam a inovar e experimentar na estratégia de convivência com o Semiárido, na busca também da conquista de mais felicidade!