Intercâmbio motiva agricultores e agricultoras a investirem na produção agroecológica

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A troca de conhecimentos é uma das estratégias de convivência com o Semiárido | Foto: Paula Andreas

Com o objetivo de promover a troca de experiências e o conhecimento de técnicas e tecnologias de convivência com o Semiárido, 25 pessoas participaram, nos dias 24 e 25 de maio, de um intercâmbio de exepriências de convivência com o Semiárido nos municípios piauienses de Castelo do Piauí e Assunção do Piauí. O evento faz parte do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA Brasil).

O intercâmbio foi realizado pela Escola de Formação Paulo de Tarso, organização executora do P1+2 na região de Valença, no semiárido piauiense, e contou também com a parceria do Centro Regional de Assessoria e Capacitação (CERAC) e da Associação Comunitária da comunidade Brejinho.

Os moradores da comunidade Brejinho, localizada na zona rural de Assunção do Piauí, recepcionaram os visitantes com um café da manhã diversificado e com comidas típicas da região. No primeiro momento, o grupo conheceu as belezas naturais que apresentam condições  para a implantação de tecnologias de captação e armazenamento de água de chuva.

Após o almoço, o grupo conheceu a cisterna calçadão e o tanque de pedra, duas tecnologias sociais implementadas pelo P1+2, além de práticas agroecológicas de manejo da caatinga, cultivos de quintais produtivos e criação de pequenos animais.

Uma das experiências visitadas foi a do agricultor experimentador Manoel Sales do Nascimento, conhecido como Seu Nascimento, que trabalha com o Sistema Semiárido de Produção de Alimento (SISEPA), uma experiência testada e aprovada devido a compatibilidade com as condições climáticas da região. Esse sistema utiliza uma técnica simples de produção de alimento com a luz solar, areia varrida e uma mínima quantidade de água. O projeto foi desenvolvido pelo líder comunitário Caetano Silva e experimentado na propriedade de seu Nascimento.

Além de uma cisterna calçadão, o quintal de Seu Nascimento possui hortaliças, fruteiras e plantas medicinais, dentre outras plantações, que geram parte da renda da familiar. “No início foi um pouco difícil porque eu tinha vergonha de vender. Mas quando apurei 150 reais na feira livre, em Assunção [do Piauí], eu fiquei empolgado e até comentei com um amigo que a partir daquele dia eu investiria muito mais”, contou seu Nascimento, exibindo um sorriso no rosto.

À noite, foi realizada, entre moradores e visitantes, um momento de confraternização com a apresentação cultural do reisado e das sementes da fartura, que trouxe para a comunidade a ideia de preservação e fortalecimento do patrimônio genético da região.

No segundo dia, o grupo prosseguiu viagem para o município de Castelo do Piauí. A primeira parada foi no assentamento São José, onde o grupo aproveitou o momento para conhecer a cisterna de enxurrada e a cisterna calçadão, além de experiências de quintais produtivos sistematizados através de banners.

Finalizando o intercâmbio, o grupo visitou a comunidade Manoel dos Santos, onde tiveram a oportunidade de conhecer uma barraginha e os canteiros econômicos das agricultoras Vitória Soares, Maria do Desterro (conhecida como Miúda) e Joana. As três colhem, consomem e comercializam tudo o que plantam no quintal de suas casas.

“Essas famílias e nossa comunidade mudaram de vidas graças à chegada do Programa Uma Terra e Duas Águas, executado pelo CERAC. Se não fosse esse programa talvez estivéssemos sofrendo muito mais com a falta de água”, conclui dona Maria da Cruz, atuante líder comunitária que acompanhou de perto a execução do P1+2 no local.

Grupo elogiou o intercâmbio realizado nas áreas rurais de dois municípios | Foto: Jucilene Silva   

Ao final da visita, os agricultores e agricultoras ficaram encantados com o que viram e ouviram das experiências. Na avaliação coletiva, a conclusão foi de um intercambio de experiências proveitoso, produtivo e motivador. Maria de Fátima, representante da comissão municipal do município de Ipiranga, destacou duas coisas que chamou sua atenção: “a primeira foi a receptividade da comunidade e a segunda foi a história de vida dos agricultores experimentadores, porque eles não tinham água suficiente para sobreviverem, depois chegaram as cisternas e a chuva faltou, porém eles nunca perderam a esperança e a fé de acreditar que mais tarde a chuva viria, como de fato veio, para superar a problemática situação da falta de água”.

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