Famílias do Semiárido ensinam como evitar o desperdício de água
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Dona Ivanilda economiza água na hora de lavar a louça. Foto: Paulo Lopes|Arquivo Asacom |
De um lado há desperdício, do outro há escassez de água. As famílias de áreas urbanas e rurais agem de maneiras distintas quando o assunto é administrar a água que chega às suas casas. No Semiárido brasileiro, as famílias esperam ansiosas pela chuva para plantar, colher e, quem sabe, comercializar. Nas grandes capitais brasileiras, as famílias, muitas vezes, utilizam a água que chega às torneiras, chuveiros e bacias sanitárias sem cuidados para poupar o líquido precioso e de direito básico de toda a população.
A Organização das Nações Unidas (ONU) proclamou 2013 como o Ano Internacional da Cooperação pela Água. A ideia é sensibilizar a sociedade civil, empresas e governos para buscar melhorar índices de acesso à água potável e ao saneamento básico no planeta – somente 11% da população mundial tem acesso à água potável e 37% não tem redes de esgoto. Ainda segundo a ONU, somente 2% da água do planeta está disponível para a população. Essa quantidade seria suficiente se não houvesse a poluição e o desperdício.
Consciente da importância de administrar bem a água, em uma região onde a evaporação da água é intensa, a agricultora Ivanilda Torres, que mora com os filhos e o marido na comunidade de Boqueirãozinho, no município de São Caetano, no Agreste de Pernambuco, conta que a fartura de hoje é bem diferente do passado, quando corria para a pista na esperança de carregar duas latas de água para casa. Atualmente, ela tem duas cisternas em casa, sendo uma para consumo humano e outra para produção. Mas essa lembrança dos tempos sem cisternas a faz não desperdiçar a água nos cuidados com a casa, com a higiene pessoal, na plantação e com os animais.
“Tenho que economizar para quando chegar o período seco eu não estar sofrendo como antes, para eu não estar na cisterna dos outros e nem esperando caminhão pipa passar. Se eu vou tomar um banho, eu não vou pegar um “baldão” de água cheio”, ensina dona Ivanilda. Diferente da agricultora, muitas pessoas gastam mais água do que é necessário para tomar banho. Enquanto que o recomendando é utilizar 45 litros, muitos chegam a gastar, num banho de 15 minutos, 135 litros de água, deixando o registro aberto. A dica para não desperdiçar água é fechar o registro, se ensaboar, e fazer a higiene pessoal em 5 minutos.
Outro exemplo vem da comunidade Sítio do Girau, no município de Remanso, na Bahia. A agricultora Maria das Graças Gomes de Almeida, dona Gracinha, recebeu a cisterna de placa de 16 mil litros no ano de 2003. Desde então passou a ter acesso à água com mais facilidade, mas nem por isso deixou de poupar para os tempos de estiagem. Com as viagens de intercâmbio que já fez, aprendeu a guardar a água que sangra do caldeirão (buracos naturais onde são erguidos paredes de alvenaria ao redor, para acumular água), e não descartá-la. Ela é armazenada em garrafas de plástico, que são guardadas empilhadas na área da casa. “Só uso essa água nos momentos mais críticos”, conta.
Para quem mora na área urbana, em casa ou apartamento, o site da Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp) dá dicas sobre como economizar em casa, no banheiro, cozinha, jardim, piscina, em calçadas e na lavagem de carro. Segundo a Sabesp, se uma pessoa escova o dente em cinco minutos com a torneira não muito aberta gasta 12 litros de água. É comum também o hábito de lavar o carro da família gastando até 30 minutos com a limpeza. O costume pode levar até 216 litros de água direto para o esgoto. Da mesma forma, ao lavar a roupa de casa é recomendável fazer o aproveitamento da água do tanque ou máquina de lavar para limpar a área do quintal ou calçadas, já que essa água contém sabão.
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Agricultora retira água de cisterna para consumo humano. | Foto: Paulo Lopes| Arquivo Asacom |
Por terem hábitos diferentes e viverem numa região de escassez de água, as famílias do Semiárido possuem uma consciência em relação ao uso da água que deve servir de exemplo para as pessoas que moram nas grandes cidades. Apesar de ter acesso ao serviço público de abastecimento de água, em muitas capitais, a população está enfrentando problemas de falta de água. Isso serve de alerta para que as pessoas, seja da zona rural ou da cidade, aprendam a cuidar e gerir bem a água que possuem.
“Tem gente que vai escovar o dente e deixa a torneira ligada. Essa pessoa não tem a noção do quanto de água tem desperdiçado. Água é vida. Uma casa sem água não tem vida”, ensina mais uma vez Dona Ivanilda.
Quer dicas sobre como não desperdiçar água? Acesse os sites: www.compesa.com.br e www.sabesp.com.br