Um reencontro para unir forças e avançar nas ações da ASA em Sergipe

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Agricultora dá seu depoimento durante Encontro

“Que ASA é essa que voa por todos os lugares? E aonde vai deixa paz? Essa é a nossa ASA. A gente vivia num cantinho escondido e a ASA voou e encontrou a gente. Hoje, a gente se mostra”. Essas foram as primeiras palavras da agricultora familiar Josefa Santos, na mesa de abertura do XII Encontro Estadual da Articulação no Semi-Árido Sergipano (ASA Sergipe), que aconteceu nos dia 04 e 05 de setembro, em Aracaju.

A partir do tema “Água, Terra e Desenvolvimento Sustentável”, o objetivo do evento foi fortalecer o diálogo no estado e construir as reflexões que serão apresentadas pela delegação da ASA Sergipe no VIII Encontro Nacional da ASA (EnconASA), em novembro deste ano, em Januária, no Norte de Minas Gerais.

A participação ativa das Comissões Municipais foi um dos destaques do encontro, que contou também com a presença de entidades da sociedade civil, como a Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Sergipe (FETASE) e o Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional de Sergipe (Consea/SE). O evento reuniu, ainda, representantes da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH), da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro) e do Ministério Público (MPSE).

Na mesa de abertura, os convidados ressaltaram a necessidade de unir forças na busca pela convivência com o Semiárido Sergipano “Não existe convivência sem água e sem segurança alimentar. Precisamos caminhar juntos”, afirmou Angélica Freitas, do Consea/SE. Ao todo, 90 participantes estiveram divididos para discutir os temas de água, auto-organização das mulheres e assistência técnica. A partir da junção entre os conhecimentos técnicos e empíricos, os grupos realizaram uma análise e listaram os desafios do estado para cada um dos assuntos.

No tema da água, os principais desafios estão relacionados a outorga das águas e gestão dos recursos hídricos por parte do Estado  Outro ponto debatido foi a universalização do acesso à água no Semiárido enquanto política pública e direito e, dentro dessa política, a inserção das cisternas de PVC. “As cisternas de PVC já começaram a trazer prejuízo no Sertão. Temos que debater, enquanto comissões municipais, com o poder público sobre os projetos para a universalização da água”.

Já na temática da auto-organização das mulheres foram sugeridas as seguintes ações: realização de políticas públicas efetivas (PRONAF Mulher); independência e empoderamento das trabalhadoras rurais e inserção das mulheres nas discussões e nas práticas de sustentabilidade. “A luta por respeito e dignidade às mulheres não pode ser uma luta fragmentada, mas é dever de todos e todas acreditar e defender outro projeto de sociedade”, declarou Rita Fagundes, professora da Universidade Federal de Sergipe.

Para a assistência técnica, o grupo percebeu os seguintes desafios: fortalecimento das bases para compreender e enfrentar os desafios de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) ampliar a oferta/atendimento, e cumprimento das diretrizes e objetivos da Política de ATER.

Durante o encontro também foi realizada a eleição que definiu a nova composição da ASA Sergipe. Elis Gardênia Santos (secretária executiva do CDJBC) e Daniela Bento (técnica da SASAC) serão as coordenadoras da ASA estadual para a gestão 2013/2015. Além disso, foram criados mais três novos Grupos de Trabalho (GTs): Sementes, Juventude e Comunicação, totalizando seis GTs. Cada grupo é formado por três pessoas representando todo Semiárido sergipano.

EnconASA
Para finalizar o encontro com chave de ouro foi escolhida a delegação da ASA Sergipe para o VIII EnconASA. O grupo que vai para Januária, no mês de novembro, é composto por 15 agricultores e agricultoras, seis técnicos e técnicas, além de uma comunicadora e uma coordenadora.

“Estou muito feliz de poder ir para o VIII EnconASA. É um encontro muito importante para troca de experiências. Eu levo as minhas [experiências] e trago a de todos os estados. Participo do grupo de mulheres e quero ser multiplicadora desse conhecimento para um grupo de jovens que estamos começando a trabalhar juntos. Ah, tem outra coisa: a gente precisa mostrar que Sergipe é [um estado] pequeninho, mas tem muita coisa boa”, relata Maria Luzinete Dória , conhecida como Dona Netinha, agricultora da Comunidade Lagoa da Volta, município de Porto da Folha.

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