Agricultores conhecem experiências de convivência com a seca no Piauí

Os intercâmbios intermunicipais fazem parte do Programa de Convivência com Semiárido da Articulação no Semi-Árido
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Intercâmbio contou com 35 agricultores e agricultoras. Foto: Paula Andréas/Arquivo ASAcom

Conhecer experiências de convivência com o Semiárido, técnicas de produção agroecológicas e experiência de organização comunitária foi o objetivo do intercâmbio intermunicipal realizado no final de semana passado com agricultores e agricultoras dos municípios de Domingos Mourão, Milton Brandão, Juazeiro e Castelo do Piauí. Os intercâmbios fazem parte do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), que trabalha com tecnologias de captação de água da chuva para produção de alimentos no Semiárido.
 
O intercâmbio foi promovido pelo Centro Regional de Assessoria e Capacitação (CERAC), entidade responsável pela execução do P1+2 na região. No total, 35 agricultores se dividiram para visitar as comunidades de Cabral e Capuão, no município de Pedro II, Engano de Baixo, em Lagoa do São Francisco, e Manoel dos Santos, em Castelo do Piauí. Essas comunidades são beneficiadas com a tecnologia da cisterna calçadão do P1+2. As famílias visitadas desenvolvem experiências agroecológicas de produção de alimentos e técnicas de potencialização do uso da água nos quintais das próprias residências.
 
Do grupo, 17 agricultores conheceram o quintal da família de Antônio Zifirino e Francinete, exemplo de produção agroecológica, na comunidade Cabral, em Pedro II. Os participantes tiveram ainda a oportunidade de conhecer um banco de sementes, um minhocário (criação de minhocas), usado para adubação do solo e um viveiro de mudas de plantas medicinais e frutíferas.
 
À tarde, os 17 agricultores visitaram a propriedade da agricultora Maria José Castro e Luís Antônio Dias, casal que – ao contrário da realidade de muitas pessoas que saem do campo em busca de oportunidade na cidade grande – fez uma trajetória inversa, saiu da capital, Teresina, para morar na comunidade rural de Capuamo. Hoje, o casal se tornou exemplo de convivência com o Semiárido ao lucrar com plantação de frutíferas e criação de galinhas em uma área que era considerada como improdutiva.
 
“Sempre tive vontade de morar no campo, apesar da dificuldade inicial com a água e com a terra, hoje me sinto feliz de não ter desistido. As cisternas nos proporcionaram essa oportunidade de água. A terra é uma questão de conhecimento, não existe terra improdutiva. Hoje a gente aproveita as folhas, restos de alimentos, estrumes. Tudo pode ser aproveitado para enriquecer a terra. Nada se perde”, explica Dona Maria José.
 
Os moradores da Comunidade Engano de Baixo apresentaram experiências de organização comunitária aos participantes. Após visitar áreas produtivas, o presidente da associação de moradores Antônio Valdiner falou sobre a importância da ação coletiva na busca de melhorias para comunidade: “tudo isso que mostramos é fruto do esforço conjunto, a organização da comunidade é necessária para que possamos lutar por políticas públicas para o desenvolvimento da comunidade. Então, eu recomendo para vocês se organizem. Lutem juntos porque unidos é que crescemos”, falou.
 
Outro grupo de agricultores visitou as experiências de famílias beneficiadas pelo P1+2 na comunidade Manoel dos Santos, em Castelo do Piauí. As anfitriãs, Dona Vitória Soares e Maria Desterro, apresentaram o canteiro de pedra no chão e o sistema de gotejamento, feito com garrafa pet. “É um prazer receber essas pessoas, eu sei o quanto é importante os intercâmbios porque a gente aprende muita coisa com eles e eles com a gente. É uma troca de conhecimento”, ressalta Dona Maria do Desterro, que, ao lado de Dona Vitória, participou de outros intercâmbios para trocar experiências.
 
Os visitaram participaram de uma festa, organizada pela comunidade, com apresentação cultural e muita dança. Os participantes conheceram a tradicional dança de São Gonçalo, expressão cultural da região, que foi apresentada, especialmente, pelos moradores mais velhos da comunidade. “A dança hoje é apresentada pelos mais jovens, mas alguns de seus pais e avós não resistiram e também se apresentaram, quiseram mostrar a beleza de sua cultura”, ressalta o animador de comunidade do CERAC, Francisco Luciano Nascimento.
 
Os intercâmbios intermunicipais fazem parte das ações do Programa de Convivência com Semiárido, promovidos pela Articulação no Semi-Árido (ASA). O P1+2 promove intercâmbios, entre agricultores e entre para agricultores e técnicos, com o objetivo de promover a troca de conhecimentos e experiências. Os momentos de troca são apoiados por instrumentos desenvolvidos para facilitar, potencializar e qualificar a comunicação e o intercâmbio entre os agricultores e as agricultoras, como os boletins de sistematização de experiências.

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