Entidades da América latina debatem a governança democrática para o acesso à água

Experiência da ASA foi a única do Brasil apresentada no evento
Compartilhe!

Além do Brasil, foram apresentadas experiências da Argentina, Honduras e Peru | Foto: Gleiceani Nogueira

Representantes de entidades que desenvolvem boas práticas para melhorar o acesso à água das populações latino-americanas participaram neste domingo (17), no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, da oficina “Governança democrática para o acesso à água”. O evento faz parte do Fórum de Empreendedorismo Social na Nova Economia, que ocorre paralelamente a Cúpula dos Povos na Rio+20.

A Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA) foi a única entidade brasileira presente no debate. A coordenadora executiva da Articulação pelo estado do Ceará, Cristina Nascimento, representou a entidade. Além do Brasil, foram apresentadas experiências da Argentina, Honduras e Peru.
“Esse foi um momento importante de troca de experiência com outros países. Uma oportunidade de mostrar a realidade do Semiárido, não só no aspecto físico, mas como as famílias vivem diante da escassez da água e como a ASA tem contribuído para que elas convivam de forma digna e sustentável”, destacou Cristina.

A coordenadora enfatizou a participação da sociedade civil na gestão e execução dos programas Um Milhão de Cisternas (P1MC) e Uma Terra e Duas Águas (P1+2). Em cada município onde a ASA atua existe uma comissão municipal, que define as comunidades que vão receber os programas. Estas por sua vez escolhem as famílias que vão receber as tecnologias de convivência.

“O P1MC e o P1+2 têm na sua essência a participação das famílias na definição de quem tem acesso às tecnologias de convivência, através de espaços coletivos como as reuniões comunitárias e das comissões municipais. Isso foi destacado como uma das dimensões que caracterizam um acesso à água de forma democrática e transparente, contribuindo para o fortalecimento da cidadania das famílias do Semiárido brasileiro”, concluiu.

A privatização da água foi um dos assuntos abordados no debate. No Semiárido Brasileiro, Cristina Nascimento destacou a concentração da água em grandes açudes construídos em terras particulares, que não estão acessíveis aos pequenos agricultores. 

“Agora essa água atende a quem? Ela é utilizada pelas grandes empresas do agronegócio como os produtores de frutas para exportação. Então essa é uma forma de privatização da água. Inclusive essa tem sido a pauta da ASA de dizer que o problema do Semiárido não é a falta de água e sim o acesso democrático dessa água”, ressaltou a coordenadora. 

Água é direito! Não troque seu voto por água!

 Cristina falou da privatização da água no Semiárido através dos grandes açudes | Foto: Gleiceani Nogueira

“Este ano no Brasil vai haver eleição nos municípios e temos levado para a sociedade o debate de uma campanha em defesa da água como um direito, que não deve ser trocado nas relações políticas, por voto. Junto às comissões municipais, a ASA está pautando um debate para que as famílias entendam que essa água que chega pelo carro-pipa, porque o problema não está solucionado, é um direito e dever do governo garanti-la”, enfatizou Cristina.

O Fórum de Empreendedorismo Social na Nova Economia foi realizado pela Fundação Avina, Ashoka, Fundação Roberto Marinho e Fundação Skoll. O objetivo do evento é inspirar o debate e aprofundar as bases, caminhos e valores para a emergência de uma nova economia; apontar e discutir os desafios e oportunidades do empreendedorismo social 20 anos depois da Eco92 e apresentar e refletir soluções criativas e inovadoras de empreendedorismo social para enfrentar os maiores problemas da humanidade, no campo social, ambiental, econômico e político.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *