Audiência pública celebra e homenageia instituições no dia mundial da alimentação

![]() |
Homenagens marcam o Dia Mundail da Alimentação no Ceará | Foto: Joana Vidal |
Em comemoração ao Dia Mundial da Alimentação, a Assembléia Legislativa do Estado do Ceará realizou uma audiência pública com o tema segurança alimentar, no último dia 18. A Audiência foi proposta pelo Deputado Estadual Lula Moraes (PC do B). Na ocasião foram homenageados o Conselho Estadual de Segurança Alimentar (Consea – CE), A Rede de Agricultores e Agricultoras Agroecológicas/os do Território Vales do Curu-Aracatiaçu e a Prefeitura do Município de Orós.
O Dia Mundial da Alimentação é celebrado no dia 16 de outubro de cada ano para comemorar a criação em 1945 da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO). Segundo a FAO, em todo o mundo, cerca de 925 milhões de pessoas vivem em situação de insegurança alimentar. Isso significa que elas não têm acesso à alimentação saudável, de qualidade, em quantidade suficiente e de modo permanente.
Helena Selma, professora do Departamento de Economia Doméstica da Universidade Federal do Ceará (UFC) e conselheira do Consea-CE afirmou que essa homenagem reforça a importância do Conselho como instância de coordenação do sistema e da Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. Sobre a homenagem à Rede de Agricultores e Agricultoras, Helena Selma ressaltou que a Rede é uma iniciativa importante e pioneira porque congrega em sua organização a produção, o abastecimento, o consumo, o fortalecimento das comunidades e da perspectiva igualitária de gênero.
Seu José Júlio Rodrigues, agricultor do município de Trairí e integrante da Rede de Agricultores e Agricultoras, diz estar muito feliz com a homenagem e com o reconhecimento da iniciativa deles. “A Rede tem uma grande organização e por isso que ela cresce porque ela é organizada, tenho orgulho de ser membro dela”, afirma. Seu Zé Júlio conta ainda que a Rede se reúne de três em três meses para planejar o trabalho. “Essas reuniões também são boas, porque a gente conversa e fica se conhecendo mais”, completa o agricultor. Seu Zé Júlio cultiva uma área de cerca de um hectare com fruteiras, plantas nativas, medicinais e ainda cria abelhas.
Hoje, a Rede de Agricultores e Agricultoras Agroecológicos/as em parceria com o Centro de Estudos do Trabalho e de Assessoria ao Trabalhador (Cetra) realiza feiras regulares nos municípios de Itapipoca, Trairí e Tururu. Segundo Cristina Nascimento, membro da coordenação colegiada do Cetra e da coordenação executiva da Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA Brasil) a homenagem da Assembléia Legislativa traz o reconhecimento da organização dos agricultores e agricultoras em torno da agroecologia. “No Ceará, ainda existem poucas redes de agricultores e agricultoras. A homenagem dá visibilidade à Rede e pode servir de exemplo. Para o Cetra, é uma alegria muito grande participar hoje deste momento, ver a expressão e o resultado do nosso trabalho como animadores desse processo, mas reconhecendo sempre que todo o mérito é dos agricultores e agricultoras”, completa Cristina. Este ano a Rede comemora seis anos de realização das feiras como um processo consolidado.
Vale contar um pouco dessa história…
A Rede surge em maio de 2006, mas antes os agricultores e as agricultoras já se encontravam na Feira de Itapipoca. O objetivo é fortalecer a agricultura familiar agroecológica, estimular a troca de saberes e as interações estabelecidas entre habitantes da zona rural quanto às políticas públicas e a comercialização solidária. Assim, além de praticar em seus quintais e roçados o cultivo agroecológico, a Rede, como articulação, realiza intercâmbios, encontros territoriais e cursos de formação, sempre trocando idéias e fortalecendo saberes.
A Rede também contribuiu para a articulação da Feira Agroecológica e Solidária de Trairi, em junho de 2009, de Tururu, em junho de 2010 e no fortalecimento da Feira de Apuiarés. Ela agrega em si outra rede, a de apicultores do território, e juntas já alcançaram importantes resultados no campo político, organizativo, de formação e participação.
Sobre a homenagem recebida, Maria José Martins Alves, conhecida como Zeza, que é uma das coordenadoras da Rede, diz que isso mostra que o trabalho está no caminho certo, além de aumentar a autoestima dos agricultores. Além disso, dá visibilidade no momento em que estão se preparando para realizar o sexto Encontro Territorial de Agroecologia (ETA), que este ano acontece de 9 a 11 de novembro, em Itapipoca, e vai discutir a questão das mulheres no meio rural e na prática agroecológica. Ela acrescenta que é importante valorizar o papel da mulher e que elas aproveitem esse espaço para estar se colocando.
Maria de Fátima dos Santos, a Fafá mora na comunidade Jenipapo e é outra coordenadora da Rede. Ela explica que a organização ajudou a melhorar o trabalho, pois os agricultores e as agricultoras trabalham em grupo, organizando visitas, fazendo parcerias, trocando sementes e idéias. Ela destaca que a briga agora é para que esses alimentos saudáveis cheguem até as escolas, além do sonho de a Rede ter um CNPJ para adquirir recursos com o objetivo de ajudar grupos em capacitação agroecológica. Sobre o ETA, Fafá complementa: “o encontro vai discutir mais os direitos das mulheres, que muitas agricultoras ainda não sabem, porque é importante que a mulher se conscientize do papel dela”.
Maria Alice é moradora da comunidade Riacho do Paulo, de Apuiarés, agricultora e apicultora integrante da Rede. Conta que participar dos encontros ajuda a aprender como lidar na agricultura, a não queimar e não usar veneno. “Antes eu plantava só milho e feijão, agora planto de tudo”, afirma a agricultora. Para o ETA, ela conta estar animada, já preparando as sementes para levar e trocar.
Os planos para o futuro da Rede? Zeza diz que é continuar trabalhando. A Rede pretende buscar cada vez mais projetos, políticas públicas e crédito para os agricultores, produzindo cada vez mais alimentos saudáveis. Afinal, é a agricultura familiar que produz a maior parte dos alimentos que a população consome.
* Comunicadora popular da ASA
** Assessora de comunicação do Cetra