Agricultores reconhecem os frutos colhidos com o P1+2
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A Organização Barreira Amigos Solidários (Obas) realizou nos dias 18 e 19 de novembro, na Serra do Estevão, município de Quixadá, Sertão Central Cearense, o Encontro Territorial de Avaliação e Planejamento do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), da Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA). Participaram desta atividade, agricultores e agricultoras beneficiários/as com o P1+2 das microrregiões Fortaleza, Limoeiro do Norte e Sertão Central. Territórios, como também, Comissões Municipais e Técnicos da instituição.
Mais do que uma reunião e até mesmo implementações de cisternas, barragens, tanques, instalação de bombas, intercâmbios ou sistematizações de experiências, os frutos das ações do P1+2 vão para além, e atinge o essencial para a transformação do Semi-Árido, a consciência de que com a participação e o empenho de cada um/a é possível viver com dignidade em terras semiáridas.
O encontro teve como objetivo principal avaliar as ações do P1+2, além de outras atividades. Foi um momento rico de troca de experiências vivenciadas pelas famílias. No primeiro momento o incentivo para a partilha se deu com a mística, que a partir da leitura bíblica do semeador, motivou os participantes a falarem dos frutos da semente que foi lançada com o P1+2.
As pessoas reconhecem que com a ASA tudo ficou mais fácil para o homem e a mulher do campo. O primeiro beneficio de valor incalculável foi a cisterna de placa com capacidade para 16 mil litros de água, do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC). “O P1MC foi o início de uma construção pelo benefício do/a agricultor/a e o P1+2 veio dar mais autonomia às famílias”, diz Diassis, da comissão municipal de Aracoiaba.
Segundo dona Lucineide, da comunidade Lagoa de São Miguel, no município de Quixeramobim, antes do P1MC buscavam água de açudes a dois quilômetros de distância e nem se falava em ter água perto de casa para plantar hortaliças. “O P1+2 garante água para produção”, afirma emocionada.
Assim como Lucineide, dona Graciene, do Assentamento Nova Canaã, Quixeramobim, também se emociona quando se lembra dos primeiros momentos de construção da cisterna e garante que aprendeu muita coisa. “Não tínhamos consciência do valor da semente que estava sendo lançada, agora reconhecemos o bem que recebemos. A água da cisterna é um bem precioso. Cada um, vai agora poder plantar e comer um alimento saudável” diz Graciene.
Silvana Ribeiro, monitora dos cursos de Gestão de Água para Produção de Alimentos (GAPA) e Sistema Simplificado de Água para Produção (SSISP) e membro da Obas, reconhece o empenho de cada um/a nesta construção e diz que podem ser comparados com a terra boa que produz frutos.
“Como é bom perceber que ao longo da caminhada um grupo que caminhou firme e produziu frutos. Temos aqui pessoas que ao longo desta trajetória nos encontramos duas, três, quatro, cinco, seis, sete vezes, porque cada visita que fazíamos na comunidade era um encontro. E como tudo na vida é único, cada momento teve e tem sua magia. Como é prazeroso ver algo construído”, diz Silvana.
Ao mesmo tempo, ela reconhece que foram vários dias e até noites trabalhando coletivamente para chegar neste ponto. Segundo a monitora, a cada encontro, todos saiam fortalecidos, porque cada um/a transparecia força, vontade e desejo de fazer as coisas diferentes na eminência de construir um Semiárido mais feliz.
Assim, durante o encontro foram sendo partilhadas as experiências de construção do P1+2. Para os/as beneficiários/as, este foi um momento propício para se falar do Programa, como também da ASA. E a alegria estampada no rosto de cada um/a é a expressão dos bons resultados que renderam estas ações.