Guardiãs das plantas medicinais de todo Brasil se encontram

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De 26 a 28 de outubro, a Paraíba sediou o Encontro Nacional Mulheres Agroecologia e Plantas Medicinais. Mais de 100 mulheres agricultoras das diversas partes do Brasil discutiram, divulgaram e trocaram experiências sobre o uso de plantas medicinais e práticas agroecológicas, que garantem a saúde e a segurança alimentar de milhares de famílias do campo e da cidade. O evento aconteceu no Hotel Fazenda Day Camp, em Campina Grande.

Apoiar e fortalecer iniciativas desse tipo representa garantir a luta e resistência dessas mulheres sobre os processos de marginalização do saber tradicional e de sua medicina tradicional e natural. Todos sabem do forte interesse da indústria farmacêutica na biodiversidade brasileira e na substituição dos remédios caseiros tradicionais por remédios sintéticos.

Elizabete da Cruz Marins, participante do Rio de Janeiro, comentou sobre o trabalho que faz no estado com 108 grupos de mulheres que utilizam dos conhecimentos tradicionais das plantas medicinais. Ela conta que esses grupos valorizam as experiências que aprenderam de suas mães, pais e avós e, ao mesmo tempo, assumem o compromisso de transmitir esses saberes para as novas gerações, garantindo assim a soberania alimentar.

Agricultoras de todo o Brasil são guardiãs de um saber cultural secular sobre as formas de cultivar, as qualidades e propriedades de diversas plantas do território brasileiro. O valor medicinal e a função destas plantas para a saúde humana e animal são informações que devem ser reconhecidas, fortalecidas e valorizadas.

“O desafio da Rede é esse e aqui neste encontro de mulheres com plantas medicinais está sendo muito legal compartilhar todas essas experiências que têm aí pelo país afora, então está sendo bem interessante no sentido de somar forças, de juntar essas experiências no sentido de que se possa a partir daí conseguir políticas públicas que reconheçam esse trabalho á nível de Brasil”, explica Elizabete.

No primeiro dia, as participantes vivenciaram um momento muito especial de mística e sensibilização na abertura do encontro. Logo em seguida, Maria Emilia Pacheco, diretora da Fase e integrante do Grupo de Trabalho Mulheres da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), facilitou um debate sobre o modelo de desenvolvimento e suas implicações na vida das mulheres.

Já no segundo dia do encontro, as mulheres puderam presenciar uma experiência do Coletivo Regional Cariri, Curimataú e Seridó. Elas participaram de uma visita à propriedade da família de Dona Socorro (agricultora integrante do Coletivo Regional) na comunidade Lajedo da Timbaúba, município de Soledade/PB. Conheceram o arredor da casa de D. Socorro e trocaram experiências sobre a história da família e as plantas medicinais que ela cultiva.

A agricultora contou sobre tudo o que conquistou através das atividades de formação que participou junto ao Coletivo e com as implementações como a cisterna de placa adaptada pra roça e o biodigestor, adquiridos durante a primeira e segunda fase do projeto Água no Semiárido, financiado pela Petrobras.

As participantes retornaram ao local do evento no fim do dia e participaram de mais uma atividade da programação: a “Feira de Saberes e Sabores”. Nela, as representantes de diversas regiões do Brasil presentes, apresentaram seus produtos regionais e agroecológicos e também puderam partilhar mais uma vez suas experiências e conhecimentos.

Maria Luiza Andrade Ferreira, da cidade de Aparecida, sertão paraibano, falou sobre seu papel no encontro, garantindo a representatividade do Sertão que também faz parte desse grupo que utiliza de forma correta as plantas medicinais e faz questão de divulgar seu potencial e eficiência: “Com certeza o Sertão não podia ficar de fora. A gente tem um trabalho feito por mulheres, também com os jovens e não podia deixar de participar de um evento de uma grandiosidade que está sendo esse”, relata, explicando que faz parte do grupo de beneficiamento de alimentos no Assentamento Angélica.

Ela ainda ressaltou a importância da produção agroecológica que é utilizada no próprio assentamento e vendida no mercado local, além do fornecimento para programas governamentais, como: PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) da Conab e o PNAE, Programa Nacional de Alimentação Escolar.

O encontro terminou com o sentimento do dever cumprido, as participantes e organizadoras estavam otimistas com o resultado e acreditam que há boas perspectivas para um próximo encontro onde poderão dar continuidade aos laços e compromissos reafirmados nesses três dias de muito trabalho e dedicação.

Na opinião de Maria Cristina Sousa Farias (Rio de Janeiro), o objetivo do encontro foi alcançado: mostrar o potencial das plantas medicinais e o papel exercido pelas mulheres na agricultura. Isso vem garantindo, pouco a pouco, que o resgate e a socialização dos conhecimentos e valores agroecológicos, junto ao cultivo das plantas medicinais sejam espalhado pelo Brasil e pelo mundo.

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