“Seremos aqui na escola de Belo Campo igual ao mandacaru, guardadores/as de água”

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Desde o mês de janeiro de 2015 o Projeto Cisternas nas Escolas está sendo desenvolvido no Semiárido. De lá pra cá já aconteceram várias atividades com o objetivo de apresentar e chamar o povo para dar suas contribuições nessa caminhada. Tanto a sociedade civil organizada através das comissões municipais da ASA quanto o poder público municipal são parceiros fundamentais para que essa Água de Educar chegue às escolas com qualidade, garantindo o direito de meninos e meninas de ter água limpa e tratada.

Hora da merenda na escola | Foto: Ana Lira/Arquivo Asacom

O passo vai se alargando e agora é o momento de as comunidades onde cada cisterna vai ser implementada conhecer o projeto e debater sobre o olhar que cada uma tem em torno da proposta de Convivência com o Semiárido. Esses momentos são chamados de Encontros de Comunidade Local e será realizado nas 2.500 escolas. O objetivo é convidar todos/as moradores/as para dentro da escola e fazer uma prosa sobre a importância da chegada da tecnologia e de como toda essa movimentação pode contribuir para uma reflexão sobre a realidade local através de uma educação que dialogue com as vivências e experiências do povo daquele lugar.

A comunidade Belo Campo que fica no município de América Dourada na Bahia vivenciou esse momento no dia 29 de abril e a organização da Rede ASA que está desenvolvendo o projeto na região é o CAA/BA, que tem sede em Irecê. A escola Aguinelo Francisco Alves abriu suas portas para que a prosa acontecesse. Participaram dessa roda: pais, merendeiras, zelador, professores/as, a coordenadora pedagógica, monitor pedagógico e coordenador do projeto.

Belo Campo tem em sua história a marca deixada pela escassez de água ao longo dos tempos e hoje se orgulha em falar da importância que tem as tecnologias de captação de água da chuva.

O envolvimento de todos/as na efetivação desse direito que é a água de qualidade para consumo humano nas escolas torna-se cada vez mais essencial, porque é a partir do sentimento de pertença que a comunidade tem com a escola e a escola com a comunidade que se vai construindo a consciência que junto/as a luta fica bem mais fortalecida. Dona Irani que trabalha como merendeira há 14 anos nos conta que a cisterna ali sempre foi um sonho. “É muito sofrimento ver as crianças voltarem pra casa porque não tem aula e eu que adoro fazer uma comida boa e bem feita pra eles. Agora tudo isso vai ser realidade”.

No deslanchar do encontro vão se firmando compromissos que a comunidade precisa assumir no cuidado com a água e a cisterna. Vão surgindo também as expectativas para os próximos momentos que serão o GRHE-Gerenciamento de Recursos Hídricos na Escola e Oficina de Educação Contextualizada. ”Falar do Semiárido é falar de nós, falar de resistência é falar do povo do Semiárido, seremos aqui na escola de Belo Campo igual ao mandacaru, guardadores/as de água” diz Luciana, coordenadora pedagógica da escola.

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