Troca de saberes, arte e devoção marcam intercâmbio de agricultores pernambucanos no Crato

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Agricultores/as visitam área agroflorestal  no sítio Tabuleiro | Foto: Kátia Gonçalves

Na bagagem, conhecimento nato de quem lida com um solo sem agrotóxico. Nas mãos, caderno e caneta para rabiscar novos aprendizados. No coração, a fé que alimenta a esperança do nordestino.  Foi com vontade de somar conhecimentos, que agricultores e agricultoras de cinco municípios pernambucanos – Serra Talhada, Santa Cruz da Baixa Verde, São Jose do Belmonte, Carnaúba da Penha e Parnamirim – participaram do intercâmbio realizado pelo Centro de Educação Comunitária Rural (Cecor), através do Programa Uma Terra e Duas Água (P1+2), no estado de Ceará.

No Crato, os visitantes foram recepcionados por Marta Maria Moreira, técnica da Associação Cristã de Base (ACB), que conduziu os agricultores e agricultoras até a propriedade agroflorestal do Seu Arthur, localizada no sítio Tabuleiro, município de Nova Olinda.

Atentos, todos ouviram a lição de vida do tão experiente Arthur. “A princípio não acreditei que era possível aplicar uma experiência que ninguém tinha feito antes, a gente apostou na terra coberta e deu certo. Há alguns anos, tentamos assentar um pé de pau e nada dava certo, mas com as experiências adquiridas em outros intercâmbios, fomos aprimorando as técnicas e, hoje, nossa área de 18 hectares é reconhecida nacionalmente. Temos mais de 100 frutíferas, não sei quantas plantas nativas e é daqui que tiro o sustento da família e vivemos felizes com árvores e sombras”, narrou o Seu Arthur.

Após saborear a galinha de caipira, saladas e feijão temperado com coentro e carinho de Dona Batista, esposa de Seu Arthur, os agricultores (as) foram ao Museu Paleontológico de Santana do Cariri para conhecer a reserva de abundantes fósseis de diversas espécies vegetais e animais. O Museu é conhecido mundialmente pela excepcional qualidade de preservação das rochas calcárias, também denominadas pedras do Cariri.

“Quando muitos pensam que nós não gostamos de cultura, estão enganados. Ter acesso a esses espaços nos faz refletir sobre a riqueza do nosso mundo, do Nordeste. É olhando esses espaços que aumentamos o conhecimento. Tudo é importante! A vivência do Seu Arthur é maravilhosa. Enquanto ele contava a sua história eu pensava comigo: amanhã eu vou ser uma contadora de história”, disse Marineuza Souza Santos, agricultora do sítio Canafístula, Parnamirim.

A outra experiência que chamou atenção dos participantes foi à união das Três Marias, mulheres com mais de cinquenta anos que dedicam a vida à plantação de hortaliças e árvores frutíferas no assentamento 10 de Abril, no Crato. “Bom é perceber a força delas. São mulheres alegres que colhem bons frutos. Os coentros são verdinhos. O quintal produtivo delas é recheado de alimentos saudáveis”, concluiu José Soares  de Lima, de São José do Belmonte.

No último dia, os agricultores e agricultoras foram agradecer as bênçãos ao líder religioso dos nordestinos, padrinho Padre Cícero que deixou preceitos ecológicos orientando os homens e mulheres do campo a sobreviver na seca a manter o sertão verde. Todos visitaram o Santo Sepulcro, o Museu Vivo e a Estátua de Padre Cícero, localizada na Colina do Horto, em Juazeiro do Norte. O intercâmbio, que durou três dias, terminou na última sexta-feira (11) com o gostinho de quero mais. 

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