Encontro de pedreiros fortalece a luta pela convivência com o Semiárido

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Roda de conversa na oficina | Foto: Rodrigo de Castro/Arquivo Cedasb

“As pessoas poderão ter um futuro mais molhado, com as tecnologias sociais da ASA, que nós ajudamos a construir”, com este sentimento de pertença à luta pela transformação social do Semiárido que pedreiros assim como Jorlando Manoel Sobrinho, agricultor, cisterneiro e também membro da Comissão Executiva Municipal (CEM) do município de Mirante, celebraram o Encontro de Pedreiros, realizado pelo Instituto de Formação Cidadã São Francisco de Assis (Isfa) e pelo Centro de Convivência e Desenvolvimento do Sudoeste da Bahia (Cedasb), entre os dias 8 e 9 deste mês, no Centro Vocacionário de Vitória da Conquista.

A Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA) compartilha hoje com suas instituições uma nova dinâmica de construção, buscando a troca de saberes entre as equipes técnicas e os/as pedreiros/as para a padronização das tecnologias em prol do melhor desempenho destas, além da garantia da qualidade de vida para o povo do Semiárido.

O momento de edificação das tecnologias de captação da água da chuva é um espaço vital de reafirmação da convivência com o Semiárido. Nele, são reavivados os ânimos e a força das famílias agricultoras em continuar a caminhada rumo à soberania alimentar e hídrica. Porém, o sentimento de pertença e amor à terra também se revitaliza nestes trabalhadores e trabalhadoras responsáveis pela concretização destas tecnologias.

Com objetivo de afinar o diálogo e vencer desafios, o encontro de formação reuniu 70 pedreiros que moram em 20 municípios da região sudoeste do estado, região de atuação das duas entidades.

Sob temáticas sobre o Semiárido, pedreiros experientes e novatos puderam trocar saberes acerca da superação de estereótipos construídos sobre o sertão, além de perceber a importância de sua atuação para a transformação social no Semiárido. Durante o encontro, as percepções compartilhadas possibilitaram a divisão de responsabilidades entre as equipes e pedreiros/as para viabilizar as novas propostas de construções, com a certeza de que eles são peças importantes para a transformação da realidade do Semiárido, uma vez que são os responsáveis pela concretização dos projetos nas comunidades beneficiadas.

Para Mamédio de Oliveira, pedreiro atuante da ASA e residente da zona rural de Cândido Sales, o espaço de partilha é fundamental não só para o crescimento de suas atividades, como também uma maneira de produzir conhecimento para o povo camponês: “A gente precisa desse momento de palestra, para levar conhecimento para as famílias, pros companheiros, para o campo. Eu acredito que aqui vamos colher conhecimento para o campo”.

Assim como Mamédio, Ataídes Barbosa, também pedreiro cândido salense, já reconhece que a troca de saberes direcionados às necessidades específicas do campo é fundamental para transformação da vida das famílias camponesas, trazendo reconhecimento à outras histórias, que não falam apenas da miséria, mas também da superação desta, da construção de novas experiências que valorizam a riqueza e a diversidade da Caatinga. “A mídia não mostra a beleza do campo, de uns tempos para cá o pessoal começou a se enxergar, a gente agora com a ASA, talvez a gente consiga mudar o preconceito, a discriminação que se tem com o Sertão”, acredita o pedreiro.

Para tanto, as organizações da ASA entram com um papel vital de fomentar esta dinâmica de partilha de conhecimento na promoção da identidade positiva do campesinato nos sertões, “tirar o Semiárido do esquecimento, do ostracismo e por em evidência – é o grande objetivo do trabalho da ASA. As organizações sociais não geram lucro, mas sim transformação social e dignidade na vida das famílias”, explica Eliane Almeida, coordenadora técnica do projeto P1+2, executado pelo ISFA, que já desenvolve um trabalho de inserção dos jovens em ações de desenvolvimento social e cultural no município de Manoel Vitorino, sede da entidade.

Para expressar o significado de construir meios de resistência e convivência junto às famílias beneficiadas pelos programas da ASA, os pedreiros improvisaram uma apresentação teatral simulando a rotina de trabalho deles, chegando a casa onde será implementada a tecnologia social, passando pelo incentivo à solidariedade entre os vizinhos, à construção finalizada e a despedida das famílias que os acolhem pelo período da edificação.

Além de viabilizarem a concretização das tecnologias, os pedreiros e agricultores também acompanham a transformação de suas próprias vidas no campo, gerando renda às comunidades e autonomia com a garantia da vida. “A ASA veio quebrar a gaiola, para nóis (sic) voar com liberdade! Hoje tenho água de qualidade, vida, tá vindo aí a [cisterna] de produção pra eu comer legumes melhor que a cidade. Eu só tenho agradecer a Deus e a ASA por me libertar”, partilhou Cleinildo dos Santos, pedreiro que reside na zona rural do município de Mirante, e acredita que a melhoria da qualidade de vida após a implementação das tecnologias é a evidência concreta da Convivência com o Semiárido ser o melhor caminho para as comunidades rurais.

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