Sementes de alegria…
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Horta de Dona Dila. | Foto: Arquivo CASA |
O brilho no olhar, o sorriso encantador, as palavras envolventes nos revelam a essência da história da agricultora Adelina também conhecida como dona Dila, uma mulher forte e batalhadora que traz consigo as marcas de uma vida difícil, repleta de lutas e desafios. O exemplo que representa a riqueza de um povo capaz de enxergar a beleza do Semiárido.
Beleza esta evidenciada na satisfação de dona Dila, ao expressar a alegria após ter conquistado a cisterna-calçadão no final do ano de 2012, fato que marcou historicamente sua trajetória enquanto trabalhadora rural. Afinal, o “peso” das latas de água foi substituído por cisternas cheias de água que representam não apenas a conquista das tecnologias, mas, sobretudo, configura-se como um processo dinâmico de troca de experiências e conhecimentos. Isso possibilita a autonomia de famílias que a exemplo de dona Dila se transformam em protagonistas de um Semiárido diferente.
Sob essa perspectiva, a fala da agricultora reflete a importância de reforçar a identidade do campo quando relata com entusiasmo. “Sempre gostei de plantar e o projeto das caixas trouxe alegria pra minha vida. Antes pegava água na cabeça pra molhar as plantas e hoje se tornou bem mais fácil viver no Sertão. Na reunião que teve aqui na comunidade de Barreiro, o animador percebeu a minha paixão em cultivar a terra e a partir daí o sonho de conquistar a cisterna foi se transformando em realidade”, declara dona Dila.
Depoimentos como esse evidenciam a importância da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) no fortalecimento de políticas de convivência com a região. Além de propiciar melhores condições de vida através do acesso às tecnologias, o Programa Uma Terra e Duas Águas – P1+2 favorece a troca de experiências e conhecimentos que permite outro olhar sobre a região Semiárida.
Através dos intercâmbios dona Dila teve a oportunidade de compartilhar informações e saberes que possibilitaram o aprendizado de novas alternativas para conviver com o Semiárido. Ao visitar outras comunidades, a agricultora fala do significado que essa experiência teve em sua vida. “O intercâmbio foi muito bom, por meio dele aprendi a lidar melhor com a terra, percebi também a importância de preservar as sementes para garantir a produção de alimentos sem agrotóxicos”, conclui dona Dila.
Nesse contexto, a riqueza que a agricultora possui aos arredores da sua cisterna de produção expressa um dos valores essenciais para conviver com o Semiárido de forma digna – a liberdade para produzir alimentos saudáveis, o que se traduz em melhor qualidade de vida e geração de renda familiar. Na horta de dona Dila a vida ganha cor, os diferentes tons de verde presentes nas verduras, frutas e hortaliças emanam a esperança de boas sementes que se materializam através da valorização dos sujeitos do campo.