Conferência abre debate sobre Semiárido e construção de estratégias de convivência

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Debater e construir o Plano Nacional de Convivência com o Semiárido. Esse é o objetivo da Conferência Temática sobre o Semiárido Brasileiro (CTSAB), que faz parte da 2ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário (2ª CNDRSS). A programação da Nacional tem acontecido desde março em todo o Brasil, e a temática, ocorre nesta quinta (25) e sexta-feira(26), em Fortaleza–CE.

A realização da Conferência Temática foi proposta pela Articulação do Semiárido (ASA) e pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e definida, no âmbito do Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável (Condraf), com o intuito de ampliar o debate sobre as questões estratégicas de convivência para o desenvolvimento sustentável do Semiárido Brasileiro e produzir subsídio para fomentar o debate sobre as políticas públicas para o Semiárido nas conferências estaduais e na Nacional, a ser realizada em outubro próximo.

A CTSAB visa contribuir com a construção do Plano Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário. É uma etapa para estimular a definição de proposições estratégicas, com participação representativa, diversa e plural de setores do Governo Federal, estaduais, movimentos sociais como MST, de mulheres, de jovens e de agricultores familiares, durante a elaboração do Plano Nacional de Convivência com o Semiárido.

Desse documento, serão selecionadas 10 propostas a serem encaminhadas à etapa nacional, mas a partir das outras propostas, a intenção é dar continuidade para que o Estado possa assumir o compromisso de criação de uma nova política de convivência.

“O momento que estamos vivendo, pela duração da seca – mesmo que seja um fenômeno natural –, de como foi colocada na mídia e como os governantes e o Estado vêm enfrentando esse período, é um bom momento de fazer um debate para gerar uma política mais estruturante de convivência com o Semiárido. Precisamos debater sobre o que será feito daqui em diante, pensar além de ações emergenciais. A expectativa é pensar as futuras políticas”, pondera Jerônimo Souza, Assessor Especial para o Semiárido do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

A importância do evento ter como tema o Semiárido se faz pelo potencial da Caatinga e pela riqueza cultural de seu povo. Segundo dados do Censo Demográfico do IBGE de 2010, 318 mil pessoas vivem no Semiárido, o que representa 11,85% da população brasileira ou 42,57% da população nordestina, em uma área de cerca de um milhão de Km², agrupando 1135 municípios.

Desde os anos 1990, a noção de convivência com o Semiárido vem ganhando força e diferentes sujeitos passaram a dar ênfase à noção de sustentabilidade por meio de ações e mobilizações da sociedade. Esta perspectiva destaca a importância de considerar as especificidades da região, o resgate de práticas tradicionais dos agricultores familiares, o desenvolvimento de tecnologias apropriadas e melhorias nas condições de vida da população.

Nesse sentido, a região depende de uma política nacional com marco legal, órgão gestor, financiamento, políticas públicas adequadas à sua realidade para o combate à desigualdade e para alcançar patamares mais elevados de desenvolvimento social, econômico e ambiental. “Esse é um novo passo. Já temos a política, e agora é preciso ter um plano, pra construir as diretrizes do plano de desenvolvimento rural e solidário”, explica Cristina Nascimento, da Coordenação de Organização da 2a. CNDRSS e Coordenadora Executiva da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) pelo Estado do Ceará.

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