Intercâmbio promove trocas de saberes entre famílias agricultoras no Agreste pernambucano

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Seu Luiz Eleutério abraçado com Dona Josefa, sua esposa, junto ao grupo de agricultores de outros municípios de Pernambuco

Um grupo de agricultores e agricultoras conheceu a experiência de vida e de trabalho com agricultura familiar agroecológica na área de Luiz Eleutério, na comunidade de Queimadas, município de Cumaru, no Agreste de Pernambuco. O encontro aconteceu entre os dias 10 e 11 deste mês. A iniciativa foi da Cáritas Diocesana de Pesqueira com apoio e articulação da Cáritas Diocesana de Caruaru.

Logo no início da visita e como forma de integração, o grupo participou de uma mística, onde houve apresentação dos participantes do intercâmbio e uma maneira também de conhecer a trajetória de transição para a prática da agricultura familiar agroecológica de Luiz Eleutério. “É muito importante esses momentos para a gente dividir com outras pessoas as experiências adquiridas durante muitos anos de trabalho com a terra e a natureza”, enfatizou o trabalhador rural.

Há 10 anos, Luiz em participando das dinâmicas da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) como agricultor experimentador. Numa área de 15 hectares, ele vive e trabalha com a família. Está sempre criando outras alternativas para produzir, cuidar e lidar com a terra, a exemplo de um canteiro construído em cima do biodigestor. Assim, o espaço que geralmente fica vazio é aproveitado. Esta horta também é econômica com relação à água, uma vez que só é necessário aguar duas vezes por semana.

Na ocasião, o grupo de agricultores e agricultoras ainda teve a oportunidade de conhecer a cisterna-telhadão. O telhado, além de servir de espaço para captar a água da chuva, também forma um galpão, onde Seu Luiz cria galinhas e guarda seus equipamentos para o trato com a terra.

“Podemos observar o cuidado e manejo com a terra que Seu Luiz tem para produzir de forma agroecológica. Além dos canteiros, ele também produz mudas de plantas que servem como defensivo agrícola nas plantações”, observou a coordenadora do P1+2, Roseilda Couto.

Célia Iracema dos Santos, da comunidade Malhada Branca, município de Buíque, foi uma das agricultoras que acompanhou o grupo e relata que foi um momento importante.  “O intercâmbio foi muito enriquecedor, por todo o contexto das tecnologias, pois vem acrescentar um maior conhecimento e fortalecer a agricultura familiar, principalmente no nosso Semiárido”, disse entusiasmada.

Biodigestor – É uma tecnologia social implementada junto às famílias agricultoras, que gera gás para a cozinhar e em uma quantidade bem significativa. O biodigestor é alimentado por esterco de vaca misturado com água, que passa pelo processo de fermentação e por um pequeno depósito com água gerando o gás, para que seja purificado e chegar até a cozinha.

Esse tipo de implementação despertou muita curiosidade nos agricultores que participaram do intercâmbio, da mesma forma o desejo em ter um. Eles fizeram muitas perguntas sobre a possibilidade desse tipo de projeto ser executado nas suas comunidades.

No final, foi feita uma avaliação com o grupo de agricultores e agricultoras. O intercâmbio foi espaço de grande aprendizado e conhecimento de alternativas que podem contribuir para uma melhor qualidade de vida às famílias. É através de um manejo equilibrado que é possível ter uma vida mais digna no Semiárido.

E assim, o intercâmbio se configura como um espaço de mão dupla da construção de conhecimentos, quem visita as experiências aprende e quem é o anfitrião também aprende muito mais com as partilhas de vivências de cada um.

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