Agua, terra e sonhos: direitos resgatados
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Tornar real a possibilidade das famílias agricultoras do Semiárido produzir e comer com qualidade e diversidade é a maior tarefa da Cáritas Regional Nordeste 3 ao implantar o P1+2. Com água, a terra se transforma e transforma a vida de quem vive dela e traz sorrisos para as novas gerações, que podem continuar plantando no campo, o jantar da cidade. A Cáritas Nordeste 3 atua na região de Caetité, no sudoeste baiano, interior sertanejo, dentro da Serra Geral da Bahia, numa região que abrange os biomas caatinga e cerrado, passando pelo gerais.
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Seu Edvaldo Mendes colhe a produção na comunidade de Quilombo, em Caetité (BA). | Foto: Renata Lourenço/Arquivo Cáritas NE 3 |
Edvaldo Mendes, da comunidade de Quilombo, Veredas do Cais, distrito de Caetité, conheceu a Cáritas Regional Nordeste 3 através das reuniões para conquistar a segunda água, e desde 2008 seu quintal ganhou mais verde. Segundo ele, só indo a sua terra para ver tudo o que produz. Hoje com as duas águas instaladas em sua propriedade, a água de consumo e a água da produção, ele produz cenoura, beterraba, couve, agrião, alface, rúcula, rabanete, almeirão, cultivando ainda uma extensa variedade de plantas medicinais, como a insulina, a hortelã, o poejo, além de outras ervas e hortaliças.
O destino prioritário da produção é o consumo familiar, mas sobrando ele vende ou oferta aos vizinhos, o que acontece na maioria das vezes. Para Edvaldo a maior mudança com a chegada das cisternas foi a liberdade e segurança na alimentação de sua família, que agora não compra quase nada no comércio urbano, diminuindo os gastos financeiros e aumentando a certeza da qualidade dos alimentos que consome.
Outra família acompanhada pela Cáritas Regional Nordeste 3 é a de Regina, que mesmo com a primeira água, ainda produz muita diversidade em seu quintal, onde encontramos maçã, pitanga, acerola, carambola, caju, manga, jamelão, licuri, um verdadeiro pomar no meio da Caatinga cinza. A escassez de chuva da região aumenta a vontade de plantar. Regina segue inventando alternativas para cuidar de suas mudas, conquistando um bem sucedido pequizal, com cerca de 30 pés. Este ano, ela vai conquistar a segunda cisterna para potencializar a sua agricultura familiar e realizar seus sonhos de ter um quintal constantemente produtivo.
Segundo Suzane Ladeia da Silva, coordenadora técnica da Cáritas, “a tecnologia que implantamos é apenas um meio de trazer junto às comunidades a formação, informação e mobilização social. Com as implementações, conseguimos resgatar as práticas de mutirões, do pensar coletivo, da autonomia das famílias em entender e reivindicar por seus direitos. É a promoção da inclusão social”
A possibilidade de armazenar água representa um conjunto de avanços, dentre os quais, a garantia de água suficiente para consumo humano durante o período de estiagem, a diminuição do tempo usado, sobretudo, por mulheres e crianças para buscar água, a liberdade de uso dela, por não mais precisar trocar um balde de água para beber por um voto. Estas ações/implementações são as primeiras ações de convivência com a seca, que vieram a se tornar política pública contextualizada com a realidade do Semiárido.