Agricultores cearenses ocupam canteiro de obras e denunciam DNOCS

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Ocupação do Tabuleiro Russas | Foto: Arquivo Cáritas CE

Na madrugada desta quarta-feira (25) cerca de 150 agricultores/as da grande região do Jaguaribe atingidos pelos grandes projetos em construção em quase todo Ceará ocuparam o canteiro de obras do Perímetro Irrigado Tabuleiro Russas da empresa Andrade Gutierrez.

A ação foi uma forma de denunciar e pressionar o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) pelo descumprimento de vários acordos entre eles dois Termos de Ajuste de Conduta (TAC) assinado perante o Ministério Público Federal que garantia o reassentamento das 120 famílias que moravam no entorno do perímetro e das 45 que residiam no entorno da Barragem do Figueiredo localizado em Alto Santo.

Após assinado o acordo menos da metade das famílias foram remanejadas para reassentamentos sem nenhuma estrutura de água, luz, cisterna de placa, estruturas sociais e terra para produção, além de não terem recebido o auxílio mensal e as cestas básicas previstos na TAC. Outras famílias pressionadas pela situação e ainda não reassentadas foram obrigadas a sair e estão em casas de familiares, amigos e comunidades vizinhas.

Mesmo diante do descaso e direitos negados das famílias a Barragem do Figueiredo foi inaugurada em junho deste ano. As águas da barragem cobriram o cemitério que desapareceu embaixo das águas deixando submersa toda memória de entes queridos da comunidade causando grande revolta à população.

Cansadas de esperar pelo DNOCS que não tem dado prioridade ao pedido das comunidades e que coloca em primeiro lugar a construção das obras que beneficiam empresas do agrohidronegócio e não a vida das pessoas, as comunidades decidiram acampar até que o órgão se posicione e aponte uma solução.

As comunidades exigem a entrega imediata das áreas de produção com ponto de água e luz para que as famílias atingidas pelo perímetro irrigado Tabuleiros de Russas possam garantir o sustento familiar; a definição e aquisição das áreas de produção para as famílias atingidas pela Barragem do Figueiredo; agilidade na execução dos acordos firmados no Termo de Ajuste de Conduta que inclui a construção dos reassentamentos, energia, água, estruturas sociais, áreas de reserva, e a efetivação de uma política.

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