Água para produzir, unir e partilhar
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210 famílias já integram o ciclo de implementação de tecnologias sociais de segunda água com o P1+2, executado pelo ISFA
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Ao lado de seu filho, Seu Manoel e sua cisterna-enxurrada finalizada. | Foto: Flávia Carvalho?Arquivo Isfa |
O processo de implementação de tecnologias sociais para captação de água da chuva representa, sobretudo, a luta diária pela Convivência com o Semiárido. Desde as primeiras mobilizações à entrega da tecnologia social às famílias é iniciado um ciclo de trocas de saberes e de cooperação que envolve as comunidades e a entidade responsável pelo projeto. Através da execução do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), celebrado em contrato de patrocínio entre a Articulação Semiárido Brasileiro e a Petrobras, pelo Instituto de Formação Cidadã São Francisco de Assis (Isfa), as comunidades já fortalecem este ciclo de atuação.
Neste processo, há uma dinâmica de experiências que nunca são corriqueiras, sempre se renovam e contribuem para certeza de que os caminhos trilhados vem transformando o sertão. Como a história de seu Manoel Oliveira, morador da comunidade de Boa Vista, no município de Manoel Vitorino-BA, que apenas morando com seus filhos, se preocupou com a chegada da sua cisterna-enxurrada. “No dia de construir a caixa, eu fiquei doente e não consegui ajudar (…)”, contou o agricultor.
Porém, mesmo com as dificuldades, outros companheiros e companheiras realizaram um mutirão comunitário que auxiliou a concretização da tecnologia junto à atuação dos pedreiros. “Foi muito bom, os pedreiros também foram bons (…) Aqui a comunidade é tudo irmão e eles veio [vieram] mesmo, todo mundo me ajudou, é uma família unida, todo mundo se ajuda”, relatou emocionado seu Manoel ao ver sua cisterna e seus canteiros produtivos finalizados.
O mutirão para a cisterna-enxurrada de Seu Manoel realizou seu sonho em conseguir a segunda água, uma garantia à futura soberania alimentar, e nesta dinâmica ele também pode ajudar os demais companheiros (as) na implementação das tecnologias.
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Seu Manoel, agricultor de Boa Vista, integrou multirões comunitários. | Foto: Flavia Carvalho/Arquivo ISFA |
Na comunidade de seu Manoel, Boa Vista, já foram finalizadas as 10 cisternas calçadão e as 4 cisternas-enxurrada, todas as tecnologias garantidas através do esforço conjunto de famílias, equipe técnica e pedreiros. Na zona rural de Manoel Vitorino, 90 famílias integraram os cursos de capacitação (GAPA/SSMA) (*) e parte destas já puderam ver as primeiras gotas de chuva serem captadas por suas cisterna calçadão, cisterna-enxurrada e barreiro-trincheira. E este ciclo de experiências exitosas comunitárias também se espalham pelos municípios de Boa Nova e Maracás, totalizando mais de 120 famílias capacitadas e mobilizadas, ávidas em dar os próximos passos rumo à soberania alimentar.
(*) GAPA (Gestão de Água para Produção de Alimentos) e SSMA (Manejo de Sistema Simplificado de Manejo da Água) são capacitações promovidas pelos projetos de implementação de tecnologias de segunda água.