Polo Sindical PE/BA realiza oficina de gestão institucional
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Momento de descontração da equipe | Foto: Josiel Santos |
Com o objetivo de integrar a equipe e construir um processo de gestão institucional de forma coletiva e harmoniosa capaz de identificar e superar os desafios atuais que limitam o desenvolvimento de suas ações, o Polo Sindical dos/as Trabalhadores/as Rurais do Submédio São Francisco realizou uma oficina nos dias 8, 9 e 10 deste mês, em Serra Talhada, Pernambuco, envolvendo diretores, assessores e colaboradores da entidade. A região de atuação do Polo Sindical abrange os estados de Pernambuco e Bahia. A organização é um das executoras das ações do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), da ASA.
A oficina foi assessorada por Alexandre Henrique Bezerra, coordenador do Centro de Desenvolvimento Agroecológico Sabiá, que conduziu os trabalhos utilizando-se de metodologia simples e dinâmica, procurando envolver todos os participantes nas atividades e trabalhos propostos, promovendo a reflexão e discussão sobre a missão do Polo Sindical, o porquê de sua existência, quais os propósitos e os desafios atuais.
Cada participante teve o tempo necessário para falar de si, externar sentimentos, se deixar conhecer e conhecer um pouco mais o outro, falar das expectativas e os anseios. Entre uma atividade e outra, houve momentos de descontração, dinâmica de grupo e integração, brincadeiras, contos de causos, cirandas, canto e dança culturais, piadas e poesias.
O diretor Jorge Silva de Melo foi convidado a contar um pouco da história do Polo Sindical, antigo Centro de Desenvolvimento Humano (CDDH). O mesmo lembrou das reuniões à portas fechadas e sempre em locais estratégicos devido às perseguições da ditadura, falou dos enfrentamentos, atritos e prisões de trabalhadores feitas pela Polícia Federal e destacou a participação fundamental de algumas lideranças como Alcides Modesto, na época padre na Bahia, e a freira Josefina em Pernambuco, na organização da luta dos trabalhadores e trabalhadoras da região, principalmente, no tocante às questões ligadas ao Reassentamento de Itaparica.
Para Ele as articulações, mobilizações e ocupações das instalações da Chesf pelos trabalhadores/as foram decisivas para a assinatura do acordo de 1986, cuja luta tinha como lema “terra por terra e casa por casa”. No entanto, muito do que foi acordado ainda falta ser cumprido pelo Governo, deixando as famílias impacientes e desacreditadas no poder público. “É por isso que a luta pelo reassentamento justo e digno continua”, enfatizou.
As dinâmicas de grupos ajudaram a construir um painel dos desafios atuais que dificultam a missão do Polo Sindical que é divulgar, promover e defender os direitos dos Trabalhadores e Trabalhadores Rurais da região do Submédio São Francisco – PE/BA. Para o assessor Alexandre “conhecer a missão da instituição é fundamental para que os integrantes incorporem e se comprometam com o processo”. Ele provocou nova discussão: Quais as estratégias que podem ser utilizadas com os recursos atuais para superação dos desafios?
O envolvimento das equipes foi total, surgindo várias propostas em torno dessa questão. Capacitação e formação continuada das equipes, fortalecimento da economia local, plano de extensão e assistência rural, incentivar e rearticular os reassentados de Itaparica, integrar e comunicar as ações realizadas, autossustentabilidade, ações agroecológicas, constituir parcerias com os sindicatos, associações locais, lideranças comunitárias e instituições, reunião de socialização mensal de diretores e colaboradores, entre outras.
Para Neuma Maria, Assessora da Federação dos Agricultores na Agricultura do Estado de Pernambuco (FETAPE) no Polo Sindical do Submédio São Francisco/Petrolândia, é preciso ter uma compreensão global das ações do Polo Sindical desde as décadas anteriores até os dias atuais. Compreensão da luta a partir da bravura e da mobilização dos trabalhadores e trabalhadoras. “Temos elementos construídos, temos histórias e diversas ações acontecendo e é preciso que haja uma integração maior dessas ações atingindo todos os cantos de atuação da entidade”, disse. De acordo com João Regis, assessor jurídico do Polo Sindical, “elementos culturais são importantes nesse momento, porque servem de atrativos, principalmente para os jovens”.
Segundo Alexandre Henrique é preciso praticar o Planejamento, Monitoramento e Assessoramento (PMA) das ações, socializando e decidindo coletivamente as atividades. O mesmo falou sobre a importância da atuação do Polo na execução dos Programas da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) – o P1MC e P1+2, chamando a atenção das equipes no sentido de ajudarem a constituir um processo de educação e formação de cidadania junto às famílias beneficiadas. “As cisternas não são favores, são direitos que estão sendo conquistados”, destacou.
Como encaminhamento, foi elaborado um conjunto de atividades que serão desenvolvidas pelo Polo Sindica nos próximos anos, como: Plano de Formação (pessoas, processos e instituições); formação de parcerias com entidades e instituições; atividades de monitoramento e reuniões da Direção com as equipes e um Plano de Comunicação.
A avaliação foi positiva, pois a oficina superou as expectativas, com metodologia simples e objetiva envolveu todos os participantes, houve a troca de experiências, interação, autoconhecimento e compromisso com a Missão do Polo.
Abaixo, segue em forma de poesia uma síntese da oficina. Os versos foram criados e recitados por José Osivan, Secretário Geral do Polo Sindical – PE/BA:
1
Nosso Pólo Sindical
Fez uma capacitação.
Sobre gestão institucional
Com tanta dedicação.
Com todos os servidores
E sua coordenação.
2
Capacitar sempre é bom
Ajuda a melhorar.
Deixa a gente preparado
Com vontade de amar.
A vida e as pessoas
Que gostam de trabalhar.
3
Defender o agricultor
Essa é nossa missão.
Lutar por um mundo bom
Onde haja educação.
Saúde e política agrícola
Para o povo do sertão.
4
Nesse nosso semiárido
Fazemos cisternas com amor.
Com outras tecnologias
Nesse sertão sofredor.
Capacitando o povo
A viver com destemor.
5
Educamos nossa gente
Para uma boa produção.
Onde a agroecologia
Seja posta em ação.
Com alimentos sadios
Pra toda população
6
Na luta dos reassentados
Continuamos com amor.
Isso desde o início
Com coragem e destemor.
Defendendo nossa gente
Do lobo devorador.