Produção de alimentos e segurança alimentar: Perspectivas das famílias do Semiárido

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Seu Jorcelino conquistou a cisterna de consumo há cinco anos. Agora, está construindo uma cisterna-enxurrada em sua propriedade. | Foto: Arquivo CASA 

Fortalecer os processos de segurança alimentar e nutricional das famílias camponesas do semiárido. Esse é o objetivo do projeto Mais Água, que já iniciou a construção de cisternas de produção em algumas localidades situadas no Território Velho Chico.

Uma dessas localidades é o município de Matina, onde mora seu Jorcelino, de 73 anos. Ele conta que antes de conquistar sua cisterna de consumo, percorria cerca de três quilômetros todos os dias para conseguir água. “Essa água era a mesma que os animais bebiam. Agora hoje, com essa cisterna, a gente estranha beber água de tanque, graças a Deus”, comenta seu Jorcelino, que há cinco anos acessou a cisterna de consumo e agora está conquistando em sua propriedade a segunda água, através de uma cisterna-enxurrada.

Sobre a vinda da segunda água e sobre a participação no curso de Gerenciamento de Água para Produção (GAPA), seu Jorcelino completa enfatizando a importância deles: “a monitora explicou como a gente vai fazer uma horta, um plantio no canteiro, como fazer o adubo dessas hortas, da importância de usar defensivos naturais para poder matar as pragas. A gente já plantava, mas às vezes não dava porque não tinha a técnica”. 

O agricultor tem muitas expectativas para com a sua cisterna. Ele afirma que não plantava porque não tinha água suficiente. “Agora, quando terminar essa cisterna e quando a chuva cair pra nós, eu vou plantar para o consumo, pois assim poderemos consumir alimentos de qualidade, sem veneno e isso vai mudar muito na qualidade de nossa saúde”, afirma cheio de entusiasmo.

 

A família de Dona Virgínia acompanha a construção de tecnologia. | Foto: Arquivo CASA

Outro exemplo de família cheia de entusiasmo e que acolhe com alegria o Projeto Mais Água é a família de Virginia, moradora da comunidade de Tanque do Claudiano em Riacho de Santana. A cisterna ainda está em processo de construção, mas muitos planos já foram feitos para serem concretizados assim que a cisterna for concluída e a chuva cair em nosso Sertão. Ednalva, sua cunhada, acredita que com a cisterna, eles poderão plantar muito mais do que antes, pois agora será possível encontrar água perto da casa. A distância e a dificuldade para localizar água acabavam por impedir que Ednalva cultivasse a sua plantação e até os temperos, que tinham que ser comprados na cidade. O canteiro econômico que será construído ao lado de sua cisterna é um incentivo para a família produzir seus próprios alimentos e a agricultora já anseia pelo segundo curso de GAPA. “Com o outro curso a gente vai aprender a plantar certo e ter sempre a nossa horta em casa”, ressalta.

Virginia, que representou a família e que participou do primeiro GAPA, também destacou a importância do curso: “Aprendemos muito com os vídeos que assistimos, eles falam da importância de não comer alimentos que usam veneno e como cuidar da cisterna. Então com a cisterna vamos poder fazer nossa horta e comer um alimento mais saudável”.
Além dos municípios de Riacho de Santana e Matina, também farão parte do projeto: Bom Jesus da Lapa, Oliveira dos Brejinhos, Sítio do Mato e Paratinga. O depoimento dessas famílias e de tantas outras que vivem no nosso Semiárido, apenas reafirma a possibilidade de que é possível conviver com a região e de que a produção de alimentos e a segurança alimentar dessas famílias é uma realidade.

O projeto Mais Água está sendo executado pelo CASA desde o início do ano de 2013, através de contrato celebrado com a Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Fome (Sedes) e o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (MDS).

*Andressa Azevedo – comunicadora Popular da ASA e Janete de Carvalho – assessora pedagógica do CASA

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