Água de comer, uma nova perspectiva para o Semiárido

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A partir da água para consumo humano, viabilizada pela cisterna do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC), novas frentes de lutas surgem com demandas reais das famílias sertanejas. A captação de água da chuva para produção e dessedentação dos animais é uma prática que representa um novo passo rumo à soberania alimentar no semiárido brasileiro. Por isso, o Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) tem se apresentado enquanto uma nova etapa de democratização da água e da promoção da convivência no semiárido.

A significância da luta, encabeçada pela ASA e as entidades que a compõe, atrai parceiros que tem comprometimento com a transformação social e melhoria da qualidade de vida das famílias do campo. A exemplo disso, a Articulação Semiárido Brasileiro firmou, em maio passado, um contrato de patrocínio com a Petrobras, através do Programa Petrobras desenvolvimento e Cidadania.  Serão ao todo 20 mil tecnologias construídas: barreiro-trincheira, cisterna-calçadão, cisterna-enxurrada e barragem subterrânea, que beneficiarão cerca de 100 mil pessoas entre o Nordeste e o Norte de Minas Gerais.

O Instituto de Formação Cidadã São Francisco de Assis (ISFA), que atua no sul da Bahia, contribuirá com a implementação de 270 tecnologias familiares, beneficiando cerca de 1620 pessoas nos municípios de Manoel Vitorino, Maracás e Boa Nova. O Centro de Convivência e Desenvolvimento Agroecológico do Sudoeste da Bahia (CEDASB), com atuação na mesma região, também atuará com as mesmas metas em Poções, Mirante e Caetanos. 

 

Na visita de reconhecimento numa propriedade rural no município de Anagé (BA) | Foto: Flávia Carvalho

As atividades já começaram a todo vapor! O ISFA e o CEDASB, em unidade, realizaram a primeira visita técnica de reconhecimento das tecnologias no município de Anagé, trocando experiências com agricultores e agricultoras. Para Eliane Almeida, coordenadora do P1+2/ISFA, este momento de novas implementações “representa uma possibilidade de fortalecimento da produção familiar camponesa, onde agricultores e agricultoras poderão ter o controle do processo produtivo, resgatando suas técnicas de manejo da terra baseados na agroecologia”.

As tecnologias de produção também conferem autonomia ao povo camponês, como acredita Anacízio Xavier, coordenador do P1+2/CEDASB: “A importância desse passo para o CEDASB e o ISFA é que as famílias produzirão seu próprio alimento e isso também representa a permanência do homem e da mulher no campo”.

A acolhida dos agricultores e agricultoras, durante a visita, impulsionou o desejo e determinação da equipe no inicio das atividades do projeto, suscitando em cada um a responsabilidade de dar certo, de se alcançar os objetivos que norteiam as práticas da ASA:   mobilizar,  formar e transformar. “Isso nos permite sonhar e lutar, desbravar novos meios e caminhos contribuindo com o fortalecimento do campesinato, mesmo cientes dos entraves que podemos encontrar durante o percurso”, conclui Eliane.

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