Discursos defendem a convivência com o Semiárido

No palco onde foram assinados os termos de parceria entre a ASA e o MDS, as falas convergiram quanto à necessidade da convivência para superar a miséria na região
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Ministra Tereza Campello trouxe em seu discurso a convicção da convivência com o Semiárido | Fotos: Paulo Lopes/Arquivo Asacom

Nos discursos feitos na assinatura dos termos de parceria entre a Articulação no Semi-árido (ASA) e Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), uma expressão chamou atenção pela quantidade de vezes em que foi pronunciada: convivência com o Semiárido. Da fala da agricultora Joelma à da ministra do MDS, Tereza Campello, o conceito, que se contrapõe ao combate à seca, estava presente.

Os termos de parceria assinados somam R$ 138,3 milhões e vão possibilitar a milhares de famílias, que hoje sofrem privações por causa da seca, condições para que convivam com o clima da região onde nasceram e moram. Assim como o europeu convive com a neve nos meses de inverno.

Depois de ter visto de perto, na propriedade da agricultora Ivanilda Torres, na zona rural de São Caetano, duas cisternas de placas de cimento – uma que guarda 16 mil litros de água para matar a sede e cozinhar e outra que armazena água para cultivo de alimentos e criação de animais – a ministra Tereza Campello trazia no seu discurso a convicção de que a convivência, a partir das tecnologias sociais, é uma das soluções para a redução da miséria no Brasil, meta perseguida pelo Plano Brasil sem Miséria, carro-chefe do governo Dilma.

“A miséria não é só resultado da falta de renda. É também da falta de oportunidade, de informação, de educação, de saúde. E a falta d´água talvez seja o primeiro fenômeno da miséria”, assegurou para uma plateia formada, em sua maioria, por agricultores e agricultoras que vieram de condução ou a pé de seus sítios na zona rural de São Caetano ou de municípios vizinhos.

Ainda quando estava no sítio de dona Ivanilda, na zona rural de São Caetano, a ministra Tereza admitiu que as 600 mil cisternas de água para consumo humano, espalhadas no Semiárido desde 2003, deixaram a população rural mais resistente a uma das maiores secas dos últimos 30 anos. De fato, o volume de 9,6 bilhões de litros acumulados de forma descentralizada nas cisternas fazem toda a diferença para as famílias e até para vizinhos, que terminam com sua necessidade assistida pela solidariedade dos donos das tecnologias.

Naidison Quintella, coordenador executivo da ASA pelo estado da Bahia, ressaltou que uma ação muito presente no dia a dia das famílias do Semiárido – esperar a água do carro-pipa na estrada com baldes na mão – vai deixar de se repetir para quem receber as 41.030 tecnologias previstas para serem construídas nos próximos sete meses. Naidison reforçou também que água não é favor e por isso, para recebê-la, não se deve comprometer o voto com esse ou aquele candidato. Em ano de eleição, é muito corriqueiro que os carros-pipas sejam controlados por candidatos e seus cabos eleitorais.

O conceito de convivência com o Semiárido também abarca a dimensão política-cidadã. Independência e autonomia para votar implicam em escolha consciente de representantes, cujo dever é atuar para o bem estar da população e o desenvolvimento social do município.

Agricultora Joelma Pereira: “Que esta ação não se encerre aqui e que tenhamos políticas públicas cada vez mais efetivas para mudar a vida das famílias agricultoras”

Consciência cidadã é com a agricultora Joelma Pereira, do município de Cumaru e vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, que também subiu ao palco para dar seu recado. Com desenvoltura e fluidez, Joelma comemorou a assinatura dos convênios por significar melhorias concretas na vida de muitas outras famílias e arrematou sua mensagem com um recado direto para a representante de Dilma: “que esta ação não se encerre aqui e que tenhamos políticas públicas cada vez mais efetivas para mudar a vida das famílias agricultoras.”

Antes de Naidison e da ministra Tereza falarem, a representante do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), Sônia Lucena também se pronunciou legitimando o papel que as cisternas cumprem junto às famílias agricultoras e ressaltando a relevância do trabalho que a ASA desenvolve na região. A representante do Consea destacou a transparência e seriedade como pontos fortes da ação da ASA e lembrou que a convivência com o Semiárido será tema da próxima reunião do Consea, nos dias 26 e 27 deste mês.

Ainda na esteira dos discursos, o secretário executivo da Agricultura Familiar de Pernambuco, Aldo Santos, destacou a importância da ASA estar fortalecida enquanto uma articulação nacional de organizações da sociedade civil. Ele explicou que, se a ASA Brasil se desarticular, as ASAs estaduais perdem força política e isso prejudicaria, por exemplo, uma parceria que o governo de Pernambuco acabou de firmar com a ASA PE para a implementação de 15,5 mil tecnologias que armazenam água para produção de alimentos.

Por fim, quando todos já tinham feito seu discurso, a coordenadora executiva da ASA pelo estado do Ceará, Cristina Nascimento, que estava como mestre de cerimônia, fez questão de realçar para a ministra que o jeito do homem e mulher do campo receber os visitantes é de braços abertos. E acrescentou que todas as outras vezes que a ministra voltar ao Semiárido será recebida da mesma forma que dona Ivanilda a acolheu no seu quintal de casa.

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