ASA participa de debate sobre Água e Segurança Alimentar no Recife
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O sociólogo e coordenador do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) da ASA, Antônio Barbosa, participa hoje (19) do evento Diálogos sobre Água e Segurança Alimentar. O debate, promovido pela Agência Pernambucana de Clima (Apac), Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) e Secretaria de Recursos Hídricos e Energéticos de Pernambuco, acontece em celebração ao Dia Mundial da Água, comemorado na próxima quinta-feira, 22. Escolhido pela Organização das Nações Unidas (ONU), o tema deste ano é Água e Segurança Alimentar. O evento será realizado no Museu do Homem do Nordeste (Av. 17 de agosto, nº 2187, Recife), a partir das 18h30.
Junto ao professor Ricardo Braga e ao pesquisador da Fundaj Tarcísio Quinamo, Barbosa vai debater os conteúdos das palestras “Água para produção de alimentos” e “Segurança alimentar”. A primeira palestra vai ser ministrada pelo assessor especial do ministro da Integração Nacional, José Machado, e a segunda pela conselheira do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) e pesquisadora da Universidade Federal do Ceará, Elza Braga.
Barbosa é o coordenador pedagógico do Programa Uma Terra e Duas Águas, responsável pela implementação de 10.524 tecnologias sociais de armazenamento de água para produção de alimentos e criação animal em todo o Semiárido brasileiro.
P1+2 – Além das tecnologias, as famílias agricultoras que recebem as cisternas-calçadão de 52 mil litros e as barragens subterrâneas – duas das quatro implementações do programa – acessam também insumos e material de infraestrutura para ampliar ou iniciar o seu cultivo de alimentos para consumo próprio e/ou a criação de animais, como caprinos, ovinos e aves.
A iniciativa já beneficiou 9.976 mil famílias, como a de dona Edite Maria da Silva da comunidade Boa Vista de Baixo no município pernambucano de Tacaimbó. Ela recebeu em 2009 uma cisterna-calçadão. Desde então, a agricultora e seus cinco filhos homens cultivam 27 tipos de frutas, legumes, hortaliças, incluindo milho e feijão, típicas culturas de sequeiro, e espécies de frutas que necessitam de grande quantidade de água como o morango.
A variedade dos alimentos cultivados na propriedade de 1,3 hectare permitiu que quatro gerações da família de dona Edite (mãe, ela, filhos e netos) deixem de fazer parte do grupo dos que vivem em situação de insegurança alimentar. Afinal de contas, a dieta foi diversificada em quantidade de nutrientes e na qualidade dos produtos que são cultivados sem nenhum tipo de produto químico para fertilizar o solo ou proteger de pragas de insetos. Sem nem precisar saber o que diz o conceito de segurança alimentar, dona Edite compreende-o perfeitamente não como conceito, mas como direito.